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Archive for Maio, 2017

Encontram-se abertas as inscrições para o curso «Perspectivas Antropológicas Contemporâneas sobre os Índios no Brasil», que tem como tema principal o debate sobre o conhecimento e a vivência da terra sob perspectivas ameríndias. Serão abordadas questões como a revitalização das discussões sobre animismo na antropologia, o multinaturalismo, o papel da visão para o conhecimento, a posse da terra em sentidos múltiplos e o papel específico dos deslocamentos no espaço para uma compreensão integrada da cultura, da história e da política dos índios no Brasil. O curso integra também uma compreensão da forma como os índios no Brasil guiam, desviam e transformam a luta política pela defesa da terra, assim como abordará questões do conhecimento ameríndio pela visão e a filmagem e pela estética.

O curso é organizado pelo Instituto de Ciências Sociais com a colaboração do Museu Nacional de Etnologia de Lisboa e decorre entre 26 e junho e 12 de julho.

Programa detalhado neste link.

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Integrado em Utopias – Arquipélago Verde, o Teatro Municipal Maria Matos, em Lisboa, regressa ao tema da ecologia com um intenso programa de debates, seminários e projecção de filmes, aproximando-nos da experiência dos povos indígenas da América do Sul. Com a contribuição de Eduardo Viveiros de Castro, José Bengoa, Ailton Krenak, Luisa Elvira Belaunde e outros antropólogos, líderes indígenas, linguistas e historiadores oriundos do Brasil, Chile, Equador, Peru, Portugal e Venezuela.

Da edição dos textos no formato de um pequeno caderno, fazemos a transcrição, parcial, de Em busca de uma Terra sem tantos males! da autoria de Ailton Krenak: «Nossa Terra, como a conhecemos hoje, já foi destruída várias vezes, em algumas destas, sem a nossa ajuda. É o que dizem dezenas ou até centenas de narrativas, histórias sagradas de nossos ancestrais. Olhando bem de perto, notamos que alguma pequena ajuda sempre foi dada por alguns de nossos antepassados. Contrariando uma lei ou norma de conduta que dava segurança ao frágil equilíbrio de nossa instável relação com todos os seres da criação que fazem a teia da Vida neste planeta que chamamos Terra. (…) O Povo Krenak que teve o seu território devastado pela fúria dos colonos e desbravadores das florestas deste vale que foi nomeado de Rio Doce, e citado como o Vale do Aço, numa franca declaração de desprezo pela presença deste caudaloso rio, cheio de vida e abundância que poderia suprir toda a necessidade de alimento para seus ribeirinhos. Mas o aço – ou vil metal – encontrado nas suas entranhas brilhou mais do que suas águas cristalinas aos olhos dos seus novos habitantes. (…) Lembrando a citação que abre este texto, em que uma das narrativas de um povo indígena assolado pela ganância dos fazendeiros de soja e da cana no Mato Grosso do Sul lembra a todos nós, que esta terra que vivemos é mesmo imperfeita e por isso segue também o seu curso, em busca de sua Terra Sem Males ou Yvi Marãey. Viva todos os rios da Terra, todos os viventes!»

Ailton Krenak é Professor Honoris causa, Universidade Federal de Juiz de Fora e Grãn Cruz da Ordem de Mérito Cultural do Brasil 2015. Publicou O Lugar onde a Terra descansa (2000) na editora ECO-Rio e Encontros – Ailton Krenak (2015) na editora Azougue.

Dia 26 de Maio, 2017, em Questões Indígenas, Debate e Pensamento, pelas 18.30h, Aparecida Vilaça apresentará A humanidade e a animalidade no universo indígena amazónico. Enquanto dia 27, pelas 17.00h, Felipe Milanez, José Bengoa e Raul Llasag Fernandez promovem uma conferência sobre o tema: Resistência Política Ameríndia.  A entrada é livre, sujeita à lotação da sala principal, mediante levantamento do bilhete no próprio dia, a partir das 15.00h.

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