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Archive for the ‘Actualidade’ Category

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Duas grandes colecções etnográficas provenientes dos índios wauja da Amazónia foram incorporadas em museus nacionais europeus em Lisboa e Paris em 2000 e 2005, respectivamente no Museu Nacional de Etnologia e no Musée du quai Branly. Ambas as colecções possuem objetos raros, inexistentes noutras coleções públicas, e cujo estudo se expandiu apenas muito recentemente. Essa conferência reflecte sobre as diferenças entre esses dois projetos de aquisição, as trajetórias curatoriais das artes indígenas da Amazónia e os desafios atuais para a sua aquisição e conhecimento.

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Aristóteles Barcelos Neto é professor e coordenador de pós-graduação na Sainsbury Research Unit for the Arts of Africa, Oceania and the Americas (University of East Anglia, Reino Unido), membro do Grupo de Antropologia Visual e do Centro de Estudos Mesoamericanos e Andinos, ambos da Universidade de São Paulo. Realizou pós-doutoramento no Laboratoire d’Anthropologie Sociale (Collège de France, Paris) e no Departamento de Antropologia da USP. Recebeu o Prémio CNPq-ANPOCS de Melhor Tese de Doutorado em Ciências Sociais.

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Museu Nacional de Etnologia
Avenida Ilha da Madeira, 1400-203 Lisboa
Tel. 21 304 11 60/9 | Fax 21 010 92 06

geral@mnetnologia.dgpc.pt

3ª das 14:00 às 18:00
4ª a Dom. das 10:00 às 18:00

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Victims of Progress, now in its sixth edition, offers a compelling account of how technology and development affect indigenous peoples throughout the world. Bodley’s expansive look at the struggle between small-scale indigenous societies, and the colonists and corporate developers who have infringed their territories reaches from 1800 into today. He examines major issues of intervention such as social engineering, economic development, self-determination, health and disease, global warming, and ecocide. Small-scale societies, Bodley convincingly demonstrates, have survived by organizing politically to defend their basic human rights. 

Providing a provocative context in which to think about civilization and its costs—shedding light on how we are all victims of progress—the sixth edition features expanded discussion of “uprising politics,” Tebtebba (a particularly active indigenous organization), and voluntary isolation. A wholly new chapter devotes full coverage to the costs of global warming to indigenous peoples in the Pacific and the Arctic. Finally, new appendixes guide readers to recent protest petitions as well as online resources and videos.

From the site Rowman & Littlefield

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La Declaración de las Naciones Unidas sobre los derechos de los pueblos indígenas (en inglés: United Nations Declaration on the Rights of Indigenous Peoples ) precisa los derechos colectivos e individuales de los pueblos indígenas, especialmente el derechos a sus tierras, bienes, recursos vitales, territorios y recursos, a su cultura, identidad y lengua, al empleo, la salud, la educación y a determinar libremente su condición política y su desarrollo económico. Enfatiza en el derecho de los pueblos indígenas a mantener y fortalecer sus propias instituciones, culturas y tradiciones, y a perseguir libremente su desarrollo de acuerdo con sus propias necesidades y aspiraciones; prohíbe la discriminación contra los indígenas y promueve su plena y efectiva participación en todos los asuntos que les conciernen y su derecho a mantener su diversidad y a propender por su propia visión económica y social.

In Tupiniquim, Povos indígenas, pueblos indígenas, indigenous peoples.

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POVOS INDÍGENAS NO MÉXICO

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Mostra Itinerante de Cinema Indígena Brasileiro

Lisboa de 03 de Maio a 07 de Junho de 2013

 Realização: Tagus-Atlanticus. Associação Cultural.

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Programa (entrada livre):

03 de Maio, sexta-feira| 18:00 | FACULDADE DE BELAS ARTES – UL

SHUKU SHUKUWE – VIDA É PARA SEMPRE |Agostinho Ika Muru | Acre, 2012

comentários de Daniel Ribeiro Duarte (Filmes de Quintal)

 

17 de Maio, sexta-feira| 18:00 | INSTITUTO UNIVERSITÁRIO DE LISBOA – ISCTE – IUL

CORUMBIARA | Vincent Carelli | Rondônia, 2009

comentários de Susana Viegas (ICS) e de Paulo Raposo (CRIA-ISCTE)

 

24 de Maio, sexta-feira| 18:00 | ESCOLA SUPERIOR DE TEATRO E CINEMA – IPT

BICICLETAS DE NHANDERU | Guarany-mbya, Video nas Aldeias | Rio Grande do Sul, 2011

comentários de Rodrigo Lacerda ( FCSH – UNL)

 

31 de Maio, sexta-feira| 18:00 | FACULDADE DE CIÊNCIAS SOCIAIS E HUMANAS – UNL

AS HIPER MULHERES | Carlos Fausto, Leonardo Sette, Takumã Kuikuro | Mato Grosso, 2011

comentários de Cristina de Branco ( FCSH – UNL)

 

07 de Junho, sexta-feira| 18:00 | CASA DA AMÉRICA LATINA . LISBOA

PI´ÕNHITSI – MULHERES XAVANTES SEM NOME| Tiago Torres, Divino Tserewahú | Mato Grosso, 2009

comentários de Cristina Branco (FCSH – UNL) e Daniel Ribeiro Duarte (Filmes de Quintal)

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Praça central de Cahokia, Estados Unidos da América.

Praça central de Cahokia, Estados Unidos da América.

Na véspera do contacto espanhol com a América existiam cerca de 40 milhões (este é um número provável, dada a dificuldade de ser estabelecido com rigor; outras estimativas apontam para um número superior de habitantes) de indígenas americanos vivendo no hemisfério ocidental, desde os Inuits e Aleútes das altas latitudes da América do Norte aos Ona e Iagan do estreito de Magalhães e do cabo Horn. Entre os trópicos de Câncer e de Capricórnio tinha surgido e florescido algumas das maiores e mais representativas civilizações que a humanidade criara, apesar de serem totalmente desconhecidas para a Europa e, eventualmente, para a Ásia pré-colombianas. Cada um dos tipos de culturas conhecidas na Europa estava também presente na América, desde os caçadores – recolectores a simples sociedades agrícolas até a poderosos impérios. Hoje muita dessa antiga magnificência pouco mais é do que uma recordação, e nalguns casos nem isso, enquanto séculos de destruição europeia, militar, cultural e religiosa, bem como as razias provocadas pelas doenças europeias, reduziam essas populações a uma fracção do que eram. Com a excepção da Bolívia ou do Paraguai, onde o guarani é uma das línguas nacionais, nenhuma outra língua nativa americana tem um estatuto oficial entre as modernas nações-Estado da América, nem qualquer representante indígena americano foi alguma vez creditado nas Nações Unidas que, somente em 2007 , assumiu uma declaração dos direitos indígenas. Caberia aqui dizer que o termo indígenas não se aplica somente aos povos originais do continente americano. Por todo o mundo existem 300 milhões de pessoas pertencentes a povos indígenas cuja característica é a de serem autóctones das suas terras, ou seja, povos originais de um dado lugar. Muitas vezes este termo é confundido com nativos. Em rigor, um nativo é alguém que nasceu num território, podendo não ser originalmente desse mesmo território, como o caso dos euro-americanos. A presença de povos indígenas é também constatável na Europa, como os Sami na Lapónia e outros povos no Báltico. Existe um Concelho Mundial de Povos Indígenas que tem alguma representação nas Nações Unidas desde os anos 70. No continente americano, actualmente, existem 68 línguas indígenas, sendo o total desta população estimada em 100 milhões de pessoas, maioritárias em países como a Guatemala ou a Bolívia. Seja como for, os indígenas reclamam-se como povo e não como minorias, tendo sido sujeitos a um etnocídio paralelamente à indígenização da pobreza ao longo do continente americano. Os indígenas são sempre as comunidades mais pobres, no entanto estes mantêm de facto – longe dos sofismas politico-morais e inconsequentes das sociedades tecnocratas – uma estreita relação com a natureza e a terra; como com os valores comunitários e colectivos.

Mulheres Aymara cumprimentam-se durante a cerimónia do solistício de inverno, Bolívia.

Mulheres Aymara cumprimentam-se durante a cerimónia do solstício de inverno, Bolívia.

Para além dos “selvagens” que povoam o imaginário híbrido dos consumidores, os indígenas reclamam outro modo e conceito de desenvolvimento para os seres humanos: viver bem, com os recursos naturais em contraponto ao viver melhor, com a consequente produção de milhares de bens de consumo ou vivendo da especulação. Naturalmente, os princípios indígenas contradizem o modelo económico globalizado do qual, aliás, foram as vítimas mais letais. Apesar de tudo, desde à 15-20 anos a situação dos indígenas americanos melhorou sensivelmente; por exemplo, os Misquitos da Nicarágua ou os Cuna do Panamá tem já formas de auto-governo, as constituições equatoriana e boliviana assumem já princípios indígenas, como o carácter inviolável da terra, sendo a constituição da Bolívia a mais avançada nestes pontos. Na modernidade da América Latina as questões de classe passaram para questões de identidade e, graças aos movimentos indígenas, as novas constituições tendem a seguir o caminho de Estados Plurais-Nacionais. Líderes indígenas vêm todos os anos à universidade Carlos III em Madrid frequentar cursos, nomeadamente na área dos direitos humanos e o VHS revolucionou a relação indígena com o registo da sua memória e cultura, sobretudo no México e no Brasil. Mas os atentados e violações são ainda atrozes, desde questões de exploração e roubo territorial, supressão consciente e sistemática de vidas e identidade e problemas endémicos profundos, como a questão das farmacêuticas americanas e ocidentais terem usado conhecimentos de ervanária ameríndia sem pagar quaisquer direitos. Tratados ao longo da história como uma muito desprezada mas necessária força de trabalho pelos católicos latino-americanos, e como diabos muito temidos pelos protestantes anglo-americanos, nunca houve uma grande hipótese de futuro para os indígenas americanos, em particular nas áreas mais favoráveis para a colonização europeia, dada a estrutura industrial e tecnológica desta última quando comparada mesmo com a mais integra das sociedades ameríndias.

Inuits.

Inuits.

Das cerca de 300 línguas diferentes existentes no mundo, ou seja, línguas mutuamente ininteligíveis, quatrocentas eram faladas no hemisfério ocidental, mas, tal como acontece com as estimativas de população, é difícil ser exacto a este respeito. O problema em ambas as áreas de investigação está em que os primeiros censos, e os primeiros vocabulários ou dicionários, foram registados décadas ou até séculos depois do contacto inicial com a Europa, quando a desordem causada pela doença, repressão, extermínio e expulsão tinha cobrado o seu tributo. Os linguistas, a começar pelo major John Wesley Powell, no século XIX, classificaram essas línguas em cerca de 100 «famílias» geneticamente relacionadas, semelhantes, na sua amplitude, à família indo-europeia de línguas (que incluem a maior parte das linguagens da Europa, Pérsia e Índia). Uma tal diversidade linguística é um argumento a favor de um longo período de isolamento cultural entre os dois continentes. Com a excepção dos inuits, cuja linguagem se encontra dos dois lados do estreito de Bering, não se encontrou nenhuma língua indígena americana com ligações positivas com qualquer das línguas do Velho Mundo, apesar de terem sido apresentados alguns argumentos a favor da afinidade do athapascan (falado no Nordeste da América e pelos Navajo e Apache do Sudoeste americano) com certas línguas da Ásia Oriental. Não obstante não se poder apontar uma origem asiática para as línguas do continente americano, entre os antropólogos físicos não há dúvidas de que os indígenas americanos são todos descendentes de raças mongolóides. Uma vez que permaneceram tanto tempo no hemisfério ocidental, com todos os seus extremos ambientais, a selecção natural agiu sobre as populações iniciais para produzir diferenças de físico e de outras características fenotípicas. Os Inuit, por exemplo, que vivem em condições de extremo frio, têm tendência para apresentar troncos espessos e extremidades curtas, tratando-se aparentemente de uma adaptação para baixar o nível de perda de calor no corpo, e em geral os indígenas americanos das latitudes mais elevadas (mas não os Inuit) são mais altos e pesados do que os das regiões tropicais. No entanto, não há motivos para se pensar que para a América pré-colombiana se tenha verificado um influxo de povos vindos de outro lado que não a Ásia.

Campo do jogo da bola, civilização Maia, Copán, Honduras.

Campo de jogo de bola, civilização Maia, Copán, Honduras.

Apesar de as massas de terra das Américas do Norte e Sul serem apenas uma fracção da Eurásia e África combinadas, o que pode justificar uma mais pequena população indígena e menos linguagens no dito Novo Mundo, os ambientes são muito diversificados, pois os povos ameríndios encontravam-se espalhados por todo o continente, desde os Inuit polares do Norte da Gronelândia até aos povos da Terra do Fogo da ponta Sul do continente americano. Assim é impossível generalizar a respeito do ambiente em que se encontravam os indígenas americanos. A característica geofísica mais notável do hemisfério ocidental é a grande cordilheira que se estende desde o Alasca, ao longo das montanhas Rochosas, e continuando pela cadeia de montanhas dos Andes a Oeste da América do Sul. A Leste desta «espinha dorsal» da América a terra é em grande parte baixa, com vastas planícies fluviais, como a bacia do Mississípi, na América do Norte, e do Orinoco e Amazonas, na América do Sul. As excepções a esta topografia são as montanhas Apalaches, no Leste dos Estados Unidos, e as terras altas do Brasil. Contudo, para estabelecermos os limites do desenvolvimento cultural e da população; a tolerância ao frio das principais plantas alimentares era muito mais importante do que a altitude. Uma vez que estas eram principalmente de origem tropical – em especial o milho, o feijão, o pimentão e a abóbora – as densidades populacionais humanas eram maiores nas baixas latitudes, onde a comida era mais abundante. No Leste da América do Norte, por exemplo, o cultivo do milho raramente se estendia para Norte da região dos Grandes Lagos, onde as populações indígenas eram muito escassas. Sem dúvida que as grandes civilizações, como a Mexica, a Maia e a Inca, dependiam inteiramente de um cultivo eficiente das plantas alimentares indígenas. Não foi portanto por acidente que essas culturas complexas se desenvolveram dentro dos trópicos.

Ruinas Incas de Ingapirca, Equador.

Ruínas incas de Ingapirca, Equador.

Milénios de desenvolvimento cultural e de diversidade ambiental provocaram diversas adaptações sociais. As culturas mais complexas foram as da Mesoamérica e na área dos Andes, basicamente território do Império Inca e dos seus predecessores.  Estas eram as áreas «nucleares» da antiga América, com grandes Estados políticos e altamente organizados, com cidades, arquitecturas e esculturas monumentais e, o que as caracteriza são as religiões de Estado organizadas, tendo estas uma forte relação com a natureza. Entre as duas áreas ditas nucleares encontrava-se a Baixa América Central – Colômbia, Venezuela Ocidental e Norte do Equador – definida pelos arqueólogos, por falta de um termo mais apropriado – por «área intermédia». Aqui as densidades populacionais eram elevadas porque a cultura do milho era a regra geral, sendo que o nível de organização, no geral, era o das chefias locais, com a excepção dos Muiscas que estavam constituídos numa ampla confederação. O mesmo sistema de chefias locais era também a realidade nas ilhas Caraíbas, as primeiras terras do continente americano a serem contactadas pelas expedições de Colombo e que este estava firmemente convencido fazerem parte dos contornos da Ásia. Para Norte e Sul da Mesoamérica e da área dos Andes existiam sociedades que eram menos complexas mas também dependentes da agricultura, como a cultura mississipiense do Leste e Sudeste dos Estados Unidos, que produziu grandes cidades, como Cahokia, cuja característica também foi a de construir elevadas estruturas piramidais.

Cerimónia indígena na reserva do  Parque do Xingu, Norte de Mato Grosso, Brasil.

Cerimónia indígena na reserva do Parque do Xingu, Norte de Mato Grosso, Brasil.

A Leste da cadeia dos Andes, nas florestas tropicais do rio Orinoco e da bacia do Amazonas, existiam (e ainda existem) sociedades de nível tribal e de chefia local com uma base económica que está mais dependente da mandioca do que do milho. Apesar de poderem parecer «primitivas» para os olhos ocidentais, é aí que pode ser encontrada a chave para a vida sedentária e para certos aspectos da religião pré-colombiana da América do Sul. Os americanos indígenas que viviam para lá da zona onde a agricultura poderia ser eficiente, para Norte e Sul da área com um número suficiente de dias sem gelos que permitisse o amadurecimento de culturas de origem tropical, tinham por força que seguir um modo de vida de caçadores-recolectores. Sob certos aspectos, este modo de vida demonstrava algumas semelhanças com a economia nómada dos caçadores de finais do Plistocénico que primeiro colonizaram o hemisfério ocidental. Contudo, seria um engano colocar todos os povos não agrícolas da antiga América dentro de um mesmo saco, porque alguns possuíam economias muito especializadas e com frequência altamente produtivas, tal como o caso dos pescadores de salmão do Noroeste do Pacífico, que viviam em grandes povoações sedentárias, e os Inuits-Aleútes da extremidade Norte da América do Norte, com a sua exploração de mamíferos marinhos, como as focas e baleias.

Caça ao búfalo de George Catlin, retirado de North American Indian Portfolio, 1844.

Caça ao búfalo de George Catlin, retirado de North American Indian Portfolio, 1844.

Temos de fazer uma outra advertência quando lidamos com culturas indígenas americanas de fora das áreas nucleares, que é a de não nos deixarmos influenciar pelo seu «presente etnográfico». Quando os europeus e os euro-americanos exerceram pressões demográficas, políticas, económicas e culturais sobre as populações indígenas, introduziram também novos elementos que alteraram para sempre a vida nativa, enquanto, e ao mesmo tempo, eram eles quem descrevia essas culturas. Um caso exemplar é o do estilo de vida tradicional dos indígenas das planícies do Oeste Norte Americano, ainda considerados como os mais típicos dos americanos originais. Outrora quase só orientados para a caça ao búfalo, esta cultura tornou-se completamente dependente do cavalo doméstico, introduzido na América do Norte pelos espanhóis. O «presente etnográfico» o manual que regista a cultura das planícies – cobre apenas o período de nomadismo a cavalo do período pós-contacto, já no século XVII.

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2012 THE MAYAN WORD

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Most certainly we came from stardust. Life itself, in this planet, began long before human consciousness – or awareness – of time. Maybe space defines time, by its mechanism and cyclical approach in the material world. Everything in existence is made of renewal, only humanity is like an arrow that throws itself into the future with blank eyes; only the heart is cyclical, the brain is not ciclycal. The Mayan Word, directed by Melissa Gunasena, is an unavoidable documentary that spurs our social conscience of history and our relationship with the natural world. First of all, I invite you to see this film, in Spanish with subtitles in English, through this link on youtube: http://www.youtube.com/watch?v=UwvpsVsawMg

This bold documentary gives voice to the Maya people and to what they feel and think nowadays about the issue of 2012 and the supposed end of the world. Let us first take a glimpse at their history and their culture, which have developed in a continent invaded by the “Old World” in the 16th century, of which it can truly be said that it signaled the beginning of the modern world and of mass globalization, through the effects of mercantilism. The general movement of western economical and political dominance, with its technical and philosophical skills, left the door wide open to the capitalist system and, naturally, to all the ideas and ideologies against it. As far as the Americas and their original populations are concerned, it all ended up in mass genocide, the dismantling of their social and cultural traditions, and a western ambivalent discourse about the discovery of “the other”, in which we can see ourselves reflected, together with an ethnopolitical strategy for domination, through culture and science. Rationalism can be a two-edged knife if one is too convinced of his reasons and right to rule; at its most unethical expression, it will fall into an appropriation of a “body”, seen as at anyone disposal.  Generally, in western thought, the word is an instrument of political flexibility and adaptation, as well as a weapon for control and domination. The scientific word is like a rule that one follows until another word, bound by another rule, is accepted, never reaching a meaningful answer and always conceived of as an instrumental device. Maybe this is why the rights of North American Indians, as established in the treaties with Euro-American governments, were repeatedly violated since the invasion of the American continent. A very sharp book by Jack D. Forbes and published in Portugal by Antígona, Columbus and other cannibals, reflects on the Amerindian holocaust and gives a crude, but pertinent, vision of the anthropophagic etnocultural expansion of empires since antiquity to our days.

 mayas

In the collective unconscious of the West, evil has also been constructed by ritual cannibalism and human sacrifices practiced by Native Americans, seen as the result of their condition of “savages”, a condition very distant from ours, in our “civilized” world. More recently, World War II, German National Socialism and the Jewish Holocaust gave Western thought another powerful conception of evil, as this dramatic scenario helped to reinforce capitalist democracy and the superior vision of a modern scientific world. Curiously enough, a recent event sheds light on the question: a street in an yucatec town was named after a Spanish ‘conquistador’, and this was seen by Maya citizens as if in Czechoslovakia they would name a street after Heydrich. The issue here is that the one who wins the war writes the story, and I dare say that history is inhabited by the phantoms of human cultural anthropophagy. Above all, we are trying to write down a dream, a poetic vision that constantly escapes our attempts of crystallizing time and of finding answers based on definitive knowledge.

Today one may say that the Christian Apocalypse was a vision or the turning of a page into a new life after the domination of the world by the Roman Empire. Assuming this concept, maybe the real problem with Western culture was that the spiritual revolution brought about by Christianity was not able to make its way and reform the old materialistic and patriarchal institutions. Maybe we can see it this way… Amerindian peoples also had their apocalyptical visions. Black Elk was an Oglala Sioux who, nine years of age, dreamed of heaven and colored horses, and of the return of the way of life of his ancestors, and of Indians regaining honor and respect, as well as reacquiring the land that had been stolen from them. Culture is a living process and much of what we know is in permanent transformation. Above all, human beings crave for a sense of justice and for rights that justify their duties. In the academic world it is well known that the Mayan Long Count ceased to be used in the end of the Classic Period, around 900 C.E. As a matter of fact, the issue of 2012 can only be spotted in one – at the most two – archeological data, but this had enough power to open a spiral of imagination in new age minds, resulting in wide speculation, commerce of ideas and books and, not the least, in the diffusion of a culture and an academic territory known as the Maya civilization.

2012 The Mayan Word finally opens a window to voices that have a right to express themselves and say something valid, not about scientific evidence or new age speculations, but through the consciousness of a living minority, strangers in their own land, calling attention to a central issue of our times, which is the relationship of humanity with nature and the deep damage that our insane global world is inflicting upon us all. Melissa Gunasena, the director of this documentary, is member of the American Indian Movement. As in other parts of the planet, ethnographic and cultural minorities struggle for autonomy, free association and right to their respectable word. And this in a world of several million human beings, expanding like a pandemic outbreak, devouring the resources of the only planet known to have life and destroying itself and its poetic identity, in the mistaken dream of an ephemeral material world.

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