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Archive for the ‘América do Norte’ Category

Arte pré-colombiana. Scala Group. Itália, 2009.

A datação do desenho e da construção original, assim como a identidade dos construtores da efígie da serpente, são três questões ainda debatidas nas disciplinas da ciência social, incluindo a etnologia, a arqueologia e a antropologia. Adicionalmente, os índigenas americanos actuais têm um interesse particular por este sítio. Várias atribuições têm sido feitas, com preocupações académicas, filosóficas e questões de identidade dos Nativos Americanos, sobre os factores desconhecidos de quando foi desenhado, construído e por quem.

Este montículo encontra-se localizado num planalto da cratera do Montículo da Serpente, ao longo do rio Ohio Brush, no condado de Adams, no Ohio. Ao longo dos anos os estudiosos propuseram que a estrutura fôra construída pela cultura adena, a cultura hopewell ou a cultura de fort ancient. A datação de Rádio carbono, a partir de carvão descoberto dentro do montículo, em 1990, forneceu a indicação que esta foi eregida por volta de 1070 d.C. Dada esta ultima evidência, um pequeno grupo de investigadores atribui o montículo original à cultura de fort ancient. Algumas outras evidências contradizem esta ideia. Por exemplo, em 1880, investigadores da Universidade de Harvard desenterraram sepulturas na vizinhança que são datadas da cultura adena. Além de que o montículo não contem artefactos característicos da cultura de fort ancient.

Levantamento em desenho do Montículo da Serpente. Fonte: Internet.

Quanto ao seu propósito, o Montículo da Serpente é a mais comprida efígie do mundo, com 400 m de comprimento. Enquanto existem vários montículos sepulcrais ao redor dela, esta não contem nenhuns restos humanos. Portanto não foi construída com propósitos funerários.

Os cherokee relacionam a esta estrutura a lenda da Uktena, uma grande serpente com poderes e uma aparência sobrenatural. A existência desta lenda atesta a importância da figura esculpida. Vários investigadores têm especulado que, talvez, as antigas populações nativas tenham criado grandes santuários totémicos que foram construídos em plataformas feitas de terra e pedra. Tais efígies poderiam ter sido destruídas por guerras ou alterações entre culturas hereditárias, resultando que só a plataforma tenha sobrevivido.

Em 1987, Clark e Marjorie Hardman publicaram a sua descoberta, de que a área de cabeça oval da serpente estava alinhada com o por do sol no solstício de verão. Outros estudos apresentam alinhamentos lunares, dois solstícios e dois eventos dos equinócios, cada ano. Se o Montículo da Serpente foi desenhado para assinalar a ordem solar e lunar, seria importante como a consolidação do conhecimento astronómico, num único símbolo. Se a data de 1070 d.C. é correcta esta poderia, teoricamente, ter sido influenciada por dois eventos astronómicos: a luz da super nova que criou a Nébula do Caranguejo em 1054 e a aparência do Cometa Haley em 1066. O Montículo da Serpente também pode ter sido desenhado de acordo com o padrão das estrelas que compõem a constelação de Draco. Este padrão encaixa com bastante precisão na estrutura, com a antiga Estrela Polar, Draconis-alpha, como o seu centro geográfico dentro do primeiro, dos sete rolos da cabeça. O Montículo está localizado num planalto com uma estrutura única de criptoexplosão, contendo falhas rochosas dobradas, usualmente produzidas tanto por meteoritos como por explosões vulcânicas.

 

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O sudoeste dos Estados Unidos da América – Irradiação das culturas Mogollón, Anasazi e Hohokam.

Oásis América – Mapa Tempo Ameríndio.

Alguns arqueólogos sustêm que mogollón começa em 1.000 a.C., sobre a base cultural da Tradição do Deserto, originada pelos cochise que em 2.000 a.C. já cultivavam um tipo de milho primitivo. O certo é que a transição de uma sociedade arcaica para uma sociedade de agricultores sedentários, com cerâmica introduzida desde o sul, se completou ao redor de 300 d.C. A sua principal fonte alimentícia proveio da domesticação e cultivo de espécies como a yuca – ou mandioca, uma espécie de tubérculo – cactos, milho, girassol, ervas e nozes.

Observam-se quatro fases distintas, na evolução da cultura mogollón que a distingue da sua similar, a anasazi. Num primeiro momento, os seus assentamentos caracterizam-se por um grande número de casas-poço de dimensões pequenas. A partir de 1.000 d.C., começaram a construi-las sobre o nível do solo e, por influência anasazi, apareceram os complexos cerimoniais e, em alguns casos, residências de varões, conhecidas como “kivas“, estas últimas sobreviventes das casas-poço.

As várias culturas do Sudoeste. Mapa Tempo Ameríndio.

Criaram todo o tipo de ornamentos: braceletes de concha, pendentes de madeira, adornos tubulares de osso e ferramentas, como metates – ou pedras para moer grãos e sementes – almofarizes, armadilhas, arcos e flechas. Também fabricaram têxteis, cestos, elementos de madeira e cerâmica como espátulas, tabuinhas, flautas e colares de sementes. No vale do rio Mimbres, desenvolveu-se uma sub-tradição com a manufactura de excelente cerâmica. Nos povoados de Casas Grandes e Chihuahua, deram-se amplos assentamentos ao que se supõe terem chegado mercadores do planalto mexicano. Por volta de 1.100 d.C. começa a sua decadência, talvez pelas mesmas causas que se fizeram sentir em todo o sudoeste, entrando em colapso definitivamente em 1350 d.C.

Vasilha com insectos, cerâmica pintada. Cultura mogollon, Novo México. Arte pré-colombiana. Scala Group. Milão, 2009.

Os anasazi – A partir de 185 a.C., sobre a base cultural dos cesteros – povos da Tradição do Deserto, sem agricultura nem cerâmica – evoluíram os anasazi. O seu epicentro foi a região conhecida como “Os Quatro Cantos”, formada pelo Arizona, Utah, Colorado e o Novo México. No seu desenvolvimento estabeleceram-se oito fases ou períodos, dos quais os três primeiros pertencem à evolução dos cesteros – até 750 d.C. – e os seguintes às culturas conhecidas como pueblo.

As primeiras habitações que levantaram foram do tipo casa-poço, superficiais e de simples estrutura. A seguir construíram-nas fazendo a base mais profunda e com uma abertura no tecto que fazia as vezes da chaminé e entrada, simultaneamente. Dentro das habitações cavaram um buraco central, o sipapu, que simbolizava o lugar por onde a humanidade havia emergido desde o interior do mundo. Com o decorrer do tempo, esta modalidade deu origem às kivas cerimoniais. Posteriormente, deu-se a sua expansão e, durante essa época, já construíram os edifícios com pedras, sobre o nível do solo. Por volta de 700 d.C., em Mesa Verde e Cliff Palace, construíram habitações dentro de reentrâncias rochosas naturais, no rebordo de precipícios.

Uma kiva (câmara ritual) construida pelos anasazi no pueblo de Mesa Verde,  Colorado. Duncan Baird Publishers, 1996.

A sua expansão, que alcançou uma dimensão máxima em 1.100 d.C. mostra que os anasazi possuíam um grande conhecimento sobre os períodos solares de solstícios e equinócios, urbanização de grandes povoações feitas em alvenaria de pedra com vários pisos; canais para rega e manufactura de vasos cerâmicos. Um dos mais importantes urbanismos desde período é Pueblo Bonito que contou um número próximo às 800 habitações e 25 kivas, as construções circulares para o culto. Esta estrutura apresenta um urbanismo racional de desenho intimista, projectado com as suas habitações de tipo original. Crê-se que foi habitado como cidade e centro de culto para umas 1.200 pessoas. Como já referimos, as habitações redondas são kivas, lugares religiosos para reuniões e cultos iniciáticos por parte dos homens. Também se supõe que a kiva principal terá sido observatório astronómico. Pueblo Bonito e Chetro Ketl são dois dos lugares mais relevantes dos 125 assentamentos distribuídos ao longo da bacia do rio Saint John, no Canyon Chaco e que formaram parte de um verdadeiro sistema económico, entre 950 a 1200 d.C. Estas localidades foram providas de residências, armazéns, recintos cerimoniais, edifícios públicos e estavam ligados por mais de 400 km de uma rede de caminhos. Ainda não foi devidamente esclarecido se Canyon Chaco foi um centro de culto e comércio, com cidades independentes anexadas ao sistema, ou se as mesmas foram colónias estabelecidas, para dar saída ao aumento demográfico que sofreram.

Planta e perspectiva de Pueblo Bonito. Cultura anasazi, cerca de 1100 d.C. Edições Corregidor, 2005.

Por volta de 1200 d.C. produziu-se uma alteração climática; por toda a região registou-se uma quebra nas escassas precipitações. Este fenómeno que criou uma ruptura no ecossistema frágil já por si, somando-se a incursão de tribos de origem dene: os navajos e apaches, são as causas possíveis que levaram ao abandono dos povoados na bacia do rio Saint John. Não se conhece de certeza o destino dos anasazi, porém, anos mais tarde, nas regiões dos rios Little Colorado e Rio Grande, deu-se uma nova etapa de construção de grandes povoações, por vezes combinadas com saliências rochosas, como na meseta de Pajaritos, no Novo México, que perduraram até à chegada dos espanhóis.

Ilustração de uma estrutura arquitectónica hohokam. Fonte: Internet.

Entretanto, nas terras desérticas dos vales do rio Gila, no Arizona, dentro de uma área restrita e próxima às outras duas tradições que já falamos, evoluiu a cultura hohokam, sobre a base da arcaica cultura cochise. Não se tem a certeza sobre o seu inicio e, ainda que alguns arqueólogos sustentem uma maior antiguidade; estima-se que os seus começos tenham coincidido com o principio da era cristã. Glawdin e Harry, em 1937, subdividem a sua duração em quatro períodos, dos quais aquele de maior desenvolvimento é o último, conhecido como Clássico. Os estudos actuais indicam que esta cultura foi regional, desenvolvendo-se no seu lugar com base a vinculações comerciais e rituais com as culturas mexicanas. Implementaram uma agricultura do deserto que lhes proporcionou duas colheitas anuais, para a qual construíram canais de rega que transportava a água desde as montanhas. Possivelmente, devido às relações frequentes que tiveram com as culturas meridionais, praticaram a astronomia, fabricaram cerâmica e braceletes de concha; trabalharam a pedra, as turquesas e o cobre.

A partir de 600 d.C. construíram praças com plataformas de 1 m de altura por 30 m de largura que, apesar de serem baixas, mostram influência mexicana. As suas habitações foram do tipo casa-poço, com recintos rectangulares, construídas com adobes sobre escavações no solo, alcançando em Casas Grandes os quatro pisos de altura.

A diminuição das colheitas e as frequentes incursões das tribos apaches, provocaram um colapso por volta de 1450 d.C. Os povoadores abandonaram os seus antigos locais e agruparam-se em pequenas povoações dispersas.

Fotografia do pueblo de Taos, Novo México. Editora Dargaud, 1969.

Apesar desta entrada ter um enfoque sobre as culturas Pré-Colombianas, ou seja, aquelas que se desenvolveram antes ou até ao contacto com os europeus, vale a pena aqui falarmos um pouco sobre as tribos históricas, desta área de estudo. Assim, quando os primeiros europeus pisaram estes territórios, por volta de 1540 da nossa era, encontraram cerca de 20.000 habitantes, disseminados por 70 povoações. A estes aborígenes denominaram, de forma genérica, como índios pueblo, devido às características das suas povoações. A sua fonte alimentícia principal era um tipo de milho adaptado à semi aridez do território, que complementavam com a caça. Mantinham uma organização social de clãs matriciais e ao povo como unidade política superior. Em chefia, um «governador» para as funções administrativas; um “chefe de guerra” encarregado dos trabalhos públicos e conflitos bélicos e, além destes, um séquito de sacerdotes cuja missão era a de propiciar as chuvas.

Dos grupos pueblo actuais, os tano e keres descendem dos anasazi. Os hopis de um ramo shoshoni; os zuñis supõe-se derivados da tradição mogollón, presumindo-se que quem actualmente habita a região de Sonora – onde se encontram as tribos pima, papago e tarahumara– são os herdeiros da tradição hohokam.

 

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Monk’s Mound at Cahokia May Have Been Built in only 20 Years.

Researchers studying the largest mound at Cahokia, Monk’s Mound, are speculating that the moound may have been built very quickly. It has been believed that the mound took 250 years to build in 14 stages. the new research took samples from the mound when repairs on the mound were being done in 2005. They looked at plant remnants and found the non-food plants were annuals that live only one to five years. The evidence suggests that construction was continuous. And the plant remains point to Monk’s Mound being built in only 20 years. The unburned remains of the plants were well preserved and not decayed as they would have been over 250 years. And they also found that parts of the mound were constructed with whole sod blocks and not basketfuls of soil.
Lopinot and Schilling report their findings, with colleagues Gayle Fritz and John Kelly of Washington University, in the Midcontinental Journal of Archaeology.

Western Digs has the story here;
http://westerndigs.org/americas-largest-earthwork-cahokias-monks-mound-may-have-been-built-in-only-20-years-study-says/

From Michael Ruggeri (FAMSI)

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LOS ANGELES, Dec. 10, 2013 /PRNewswire/ — Annenberg Foundation Vice President and Director Gregory Annenberg Weingarten today announced that the Annenberg Foundation has purchased 24 sacred Native American artifacts from an auction house in Paris – totaling $530 thousand– for the sole purpose of returning them to their rightful owners.  Twenty-one of these items will be returned to the Hopi Nation in Arizona, and three artifacts belonging to the San Carlos Apache will be returned to the Apache tribe.

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A Hopi girl of marriageable age assumes the traditional squash – blossom hairstyle, symbolizing fertility. 1998 Brompton Books Corp.

“This is a great day for not only the Hopi people but for the international community as a whole,” said Sam Tenakhongva, a Hopi cultural leader. “The Annenberg Foundation set an example today of how to do the right thing. Our hope is that this act sets an example for others that items of significant cultural and religious value can only be properly cared for by those vested with the proper knowledge and responsibility. They simply cannot be put up for sale.”

The positive development came after efforts, including those of the U.S. Embassy, were made to delay the auction of the Hopi and San Carlos Apache items.   Acting on behalf of the advocacy group Survival International and the Hopi, attorney Pierre Servan-Schreiber went last week before a judge in Paris in an attempt to have the sale of the Hopi items blocked, but on December 6, the court ruled against him.  That’s when Weingarten made the unprecedented decision to intervene.

“As an artist, I was struck by the awesome power and beauty of these objects,” said Weingarten.  “But these are not trophies to have on one’s mantel; they are truly sacred works for the Native Americans.  They do not belong in auction houses or private collections.  It gives me immense satisfaction to know that they will be returned home to their rightful owners, the Native Americans.”

The Native American Graves Protection and Repatriation Act gives federally recognized Native American tribes a way to reclaim funerary objects and ceremonial items from federal agencies and museums in the United States.  The law, however, does not apply to items held internationally.

In April of this year, the French firm Neret-Minet Tessier & Sarrou auctioned 70 artifacts for €930,000, ignoring pleas and protests around the world.  Servan-Schreiber, who acted for Survival International and the Hopi in that case as well, bought and returned a sacred Hopi artifact to the tribe last summer.  He also bought on Monday one artifact for €13,000 and intends to return it to the Hopi.

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Figure of the Hopi Sio Hemis kachina. The head-dress or tableta, which is topped with cloud symbols, bears stylized plants and flowers. 1964 Holle Verlag G. M. B. H., Baden-Baden, Germany.

“Many individuals worked tirelessly on this issue for many, many months only to come away feeling disappointed following the ruling by the French court,” said Servan-Schreiber. “Now we have reason to celebrate.”

“Hopefully this gesture is the beginning of a larger conversation to discuss and inform various communities about what is sacred and what is for sale,” concluded Tenakhongva. “Although we were disappointed in the decision of the court which allowed the sale to proceed, we will continue to work to protect our cultural heritage on behalf of our Hopi people and others. This issue extends far beyond us, and it is our hope that others who have seen our campaign will step forward and help to enlighten, educate and join us in protecting cultural heritage and value across the world.

“Our thanks are once again extended to Survival International and Mr. Pierre Servan-Schreiber for their efforts and to the Annenberg Foundation for their goodwill and generous gesture. Kwakwah (Thank you).”

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About the Annenberg Foundation
The Annenberg Foundation is a family foundation that provides funding and support to nonprofit organizations in the United States and globally. Since 1989, it has generously funded programs in education and youth development; arts, culture and humanities; civic and community life; health and human services; and animal services and the environment. In addition, the foundation and its Board of Directors are directly involved in the community with several projects that expand and complement its grant support to nonprofits. Among them are Annenberg Alchemy, Annenberg Learner, Annenberg Space for Photography, Explore, GRoW and the Metabolic Studio. The Annenberg Foundation exists to advance public well-being through improved communication and visionary leadership. As the principal means of achieving this goal, the Foundation encourages the development of more effective ways to share ideas and knowledge.

SOURCE The Annenberg Foundation

RELATED LINKS
http://www.annenbergfoundation.org

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Adena Culture

Museu de História de Cincinnati, E.U.A.

Estima-se que num período que vai de 1.000 a 200 a.C., numa faixa temporal conhecida como Período das Florestas Inicial, se terá estabelecido no vale do rio Ohio a cultura adena, antecessora da hopewell. Esta cultura refere-se ao que provavelmente era um conjunto relacionado de sociedades indígenas americanas, partilhando um sistema de complexos funerários e cerimoniais. Os adena viveram numa diversidade de locais que, além do Ohio incluíam a Indiana, West Virginia, Kentucky e partes da Pennsylvania e Nova York.

No entanto, os assentamentos dos adena concentram-se numa área relativamente pequena. Talvez 300 locais no vale central do Ohio, com outros 200 espalhados por Indiana, Kentucky, West Virginia e Pennsylvania, apesar de que no seu tempo poderiam ter chegado a numerar milhares de localidades. A importância dos complexos dos adena advém da sua influência noutras culturas contemporâneas e nas que se seguiram. A cultura dos adena, terá sido precursora das tradições culturais hopewell, que são por vezes consideradas como uma elaboração, ou zénite, das tradições adena.

Os adena basearam a sua economia na recolecção e na caça. Porem, simultaneamente, começaram com a prática rudimentar do cultivo de plantas nativas. Desde os seus primórdios apresentou-se como uma sociedade estratificada, criadora de cerâmicas, trabalhos artísticos e possuindo uma extensa rede comercial que os abastecia de uma variedade de matérias-primas abrangendo o cobre, que vinha dos Grandes Lagos, até às conchas trazidas da Costa do Golfo. A cultura adena foi assim denominada por se ter encontrado um grande montículo de terra situado numa zona com o nome de “Adena”, pertencente a um proprietário do século XIX, em Chillicothe, Ohio.

 Adena

Montículo Criel, elaborado com propósitos funerários. Localiza-se em South Charleston, West Virginia. Fotografia de David G. Simpson.

Os artefactos desta cultura que mais perduraram foram as construções feitas de terra. Em tempos estes montículos tumulares existiram aos milhares, tendo sobrevivido até hoje apenas um número reduzido destes monumentos de terra. Estes montículos geralmente medem em tamanho 91 metros de diâmetro e eram usados como estruturas funerárias; sítios cerimoniais, marcos históricos e, possivelmente, pontos de reunião. Os montículos foram construídos usando centenas ou milhares de cestos cheios de terra, especialmente seleccionada e preparada. Segundo as investigações arqueológicas, estas estruturas eram usualmente construídas como parte de um rito funerário, no qual a terra do montículo era empilhada directamente sobre um edifício mortuário previamente queimado. Estas construções mortuárias tinham como intenção manter e preservar o defunto até que o entero final fosse realizado. Antes da construção dos montículos alguns bens utilitários ou sepulcrais eram colocados no chão da estrutura, que era queimada com estes bens em conjunto com o falecido honrado no seu anterior. O montículo seria então construído e, muitas vezes, uma nova estrutura mortuária seria colocada no topo da nova elevação. Após uma série de repetições em sobreposição, montículo/mortuário/montículo/mortuário/etc, resultava finalmente uma elevação proeminente, feita inteiramente de terra.

Contudo, os montículos dos adena eram estruturalmente variáveis, identificando-se 90 características associadas a eles conjuntamente com os enterros que continham. A variedade reflecte obviamente a complexidade nos costumes fúnebres dos adena. Este é um facto inegável mas coloca várias questões sobre o seu significado.

Se os hábitos mortuários são vistos como altamente simbólicos, com um profundo significado cognitivo, esta variabilidade é produto de como o ritual fúnebre era conduzido; talvez com alterações ao longo do tempo ou diferentes programas sepulcrais, para diferentes indivíduos. De qualquer das formas, a variação em si teria um significado considerável para outros aspectos da sociedade. Por exemplo, no que diz respeito a uma explicação sociológica inicial, apenas pessoas especiais eram enterradas nos montículos enquanto os homens comuns eram cremados nas aldeias. A opinião corrente tende a ver as variações nas práticas funerárias como indicativos de importantes diferenças estatutárias. De forma similar é geralmente assumido que quanto maior for o estatuto mais elaborado é o enterro. Se for esse o caso as variações nos enterros adena sugerem uma sociedade complexa e altamente estratificada, incluindo muitas gradações de riqueza e influência. De facto, neste respeito, a sociedade de adena poderia ter sido mais complexa que qualquer outra cultura do Vale de Ohio.

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Vista frontal e traseira de cachimbo adena, encontrado num montículo perto de Chillicothe em 1901.

Seria interessante salientar que existem outras perspectivas sociológicas sobre esta questão que vêm nas variações dos enterros o resultado de um ritual mortuário aberto e negociado, entre pares sociais iguais, com resultados variáveis ou imprevisíveis. Esta linha propõe uma visão mais igualitária nesta sociedade do que geralmente se supõe. Nesta perspectiva, os montículos funerários dos adena seriam menos monumentos para as personagens neles enterrados mas um registo tangível da interacção social. O mesmo processo de reavaliação encontra-se actualmente em aberto para a interpretação da cultura hopewell, no vale do Ohio, como aliás seria de esperar, dado a certeza que esta cultura foi descendente dos adena.

No período final desta cultura sulcos circulares de função desconhecida foram, por vezes, construídos à volta de montículos funerários. De referir ainda que estas estruturas de terra se encontravam isoladas das áreas onde se desenrolava a vida doméstica.

Apesar dos montículos serem por si  realizações artísticas impressionantes os artistas adena criaram peças de arte, mais pequenas e pessoais. Motivos de arte que se tornaram estruturais para muitas das culturas posteriores começaram com os adena. Motivos como o olho lacrimejante e os desenhos da cruz e do circulo tornaram-se ícones em muitas das culturas posteriores. Várias peças de arte parecem estar relacionadas com as práticas xamânicas e a transformação de seres humanos em animais, particularmente pássaros, lobos, ursos e veados – voltando a readquirir a forma humana. Este aspecto parece indicar uma crença em que a sua prática incorporava as qualidades do animal na pessoa que usasse ou possuísse o objecto. Armações de veado, tanto reais como construídas em cobre, lobos, queixadas de leões da montanha e muitos outros objectos, eram utilizados como ornamentos, colares e outras formas de adorno pelos adena. Os cachimbos tubulares para fumar, de vários feitios, sugerem a oferta de fumo aos espíritos. O objectivo de fumar pelo cachimbo terá que ver com alterações de estados de consciência, alcançados através do uso da planta alucinogenica Nicotiana mística. No seu todo os adena foram uma expressão cultural, dentro de uma zona ampla, onde se constata a profusão e variedade de artefactos devotados às necessidades espirituais.

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Placa gravada de Wilmington. Cultura Adena. Período das Florestas Inicial, 500 a.C. David W. Penney. North American Indian Art. New York: Thames and Hudson, 2004.

Os adena também produziram pequenas tabuletas de pedra, usualmente com 12.5 cm por 10 cm, com 12.5 cm de espessura. Numa ou em ambas das superfícies lisas estão, graciosamente compostos, desenhos em alto-relevo, estilizados com formas zoomorfas ou motivos geométricos curvilineares. Também foram encontrados restos de tinta em algumas destas tabuletas, levando os arqueólogos a propor que estas placas eram provavelmente usadas para imprimir os desenhos em roupas ou couro. Talvez até mesmo nos seus próprios corpos, no sentido que seria possível que fossem usadas para demarcar os desenhos para tatuagens.

Ao contrário de outras culturas a cerâmica adena não era sepultada com os mortos ou com os restos cremados, como o foram outros artefactos. Usualmente temperada com areia ou cal eram peças largas e lisas, marcadas com uma corda ou motivos regulares, havendo uma variedade que apresenta um desenho de diamante incrustado na superfície. As formas dos vasos são conoides e arredondadas, ou jarras de topo liso, por vezes com pequenos suportes na base.

As zonas onde se encontravam os elaborados montículos estavam perto de habitações dispersas. A população encontrava-se em pequenos assentamentos de uma ou duas estruturas. Uma casa típica era construída em forma circular com 4,5 m a 13,7 m de diâmetro. As paredes eram feitas de conjuntos de postes inclinados para fora, juntos a outras madeiras para formar um telhado em forma de cone. O tecto era então coberto por casca de árvores, usadas também para revestir as paredes, acrescentando-se vime.

Os adena tinham ferramentas de pedra e machados. Ossos e armações de veado eram usados para pequenos utensílios, mais proeminentemente para objectos ornamentais. Colheres, pendentes e outros implementos eram feitos de conchas marinhas. Poucos machados de cobre foram encontrados, sendo que usualmente o metal era transformado para usar em formas ornamentais, como braceletes, anéis, colares e outros pendentes.

 

 

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Introdução ao universo mitológico e metafísico das principais culturas ameríndias

Mitologias

Os Indígenas Norte Americanos

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Os mitos dos indígenas Norte Americanos provêm de uma área que não só é vasta como variada em termos de clima e topografia, e na qual existem pelo menos 236 grupos étnicos reconhecidos, falando pelo menos 134 diferentes linguagens e dialectos. Usualmente cada grupo étnico tinha, ou tem, a sua própria mitologia e religião, estreitamente relacionada com a topografia e reflectindo a fauna e flora local. Apesar de haver por vezes similaridades estreitas entre grupos diferentes, a regra geral é a diversidade, e não a uniformidade.

As Florestas do Este

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A primeira parte do Norte da América a ser explorada e colonizada pelos europeus, era, mais ou menos, uma floresta contínua que se estendia da linha de árvores do Labrador e Baía de Hudson até ao Golfo do México, ficando sensivelmente na longitude do Mississipi a Oeste. A organização política comum desta região era a tribo, variando a população desde umas poucas centenas a um ou dois milhares de habitantes. Membros de uma tribo falam uma linguagem comum e estão unidos por um governo também comum. Em algumas partes do Este, certas tribos estavam tenuemente ligadas em “confederações”, como os Iroqueses no Norte e os Creek no Sul.

Todas as tribos das Florestas do Este acreditavam numa entidade suprema, por vezes referida em Inglês como o Grande Espírito. Este criou o mundo e é autor da vida. Invisível e imaterial, é invocado com reverência, mas não é uma personalidade definitiva de quem os mitos falem. Geralmente fora do mundo do senso comum, ele seria provavelmente melhor nomeado como o Grande Mistério.

A maioria das tribos nas Florestas do Este acreditava num multi-anel celeste, variando de 4 a 12 camadas. Na mais elevada destas, encontrava-se o Grande Espírito. Próximo do homem está o sol, os 4 ventos e a mãe terra. Estes 6 elementos são conjuntamente referidos durante a cerimónia do cachimbo sagrado. O número total destas entidades maiores, mais o ponto de partida do peticionando, faz sete. Quatro e sete são os números rituais mais importantes dos habitantes do Norte da América, e são constantemente recorrentes nos mitos nativos americanos.

As tribos das Florestas do Este referem-se conjuntamente ao mundo como “A ilha” e concebem-no espalmado, assente nas costas de uma tartaruga gigante. O céu é visto como o tecto do mundo do homem, mas como a base do anel celeste mais baixo. Este estrato, mesmo acima da terra, é a casa dos Pássaro Trovão. Estes são concebidos como pássaros gigantes com rostos humanos. O bater das suas asas é o som do trovão, e o flash dos seus olhos aguerridos é o relâmpago luminoso. Entidades poderosas também vivem dentro da terra e debaixo das águas dos lagos e dos rios. Algumas destas criaturas são espelhos “subaquáticos” de criaturas que vivem na superfície da terra, como o lobo subaquático e o urso subaquático. Tal como o céu tem múltiplos anéis, assim também é a região subaquática e subterrânea. Na região mais baixa está a casa dos chefes das criaturas do mundo subaquático e subterrâneo, os poderosos deuses conhecidos como as Panteras subaquáticas ou as Serpentes gigantes com cornos.

Os Pássaros Trovão estão constantemente em guerra com as Panteras subaquáticas e as Serpentes gigantes com cornos. Grandes tempestades, tremores de terra, inundações e outros fenómenos naturais violentos, são considerados como o resultado das batalhas entre estas duas forças cósmicas, opostas mas complementares.

As grandes planícies

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Estendendo-se até Oeste, desde o limite das Florestas do Este, até ás Montanhas Rochosas, e das pradarias canadianas até à costa do Texas, situa-se a região das Grandes Planícies da América do Norte. Antes da ocupação dos ocidentais, esta vasta área coberta de erva suportava inúmeros Bisontes, assim como outros animais. Ao longo dos seus rios era possível cultivar o milho, o feijão e a horticultura foi importada para a região tão cedo como 500 anos depois de Cristo. A introdução do cavalo, pelos europeus, no século XVIII, causou uma revolução na vida dos Índios da Planície, facilitando a caça, por grupos altamente móveis.

Muitas das entidades e mitos das tribos das planícies, estão proximamente ligadas aquelas dos Índios das Florestas do Este, e foram de facto importadas dessa região. Para o Índio das Planícies o seu mundo, apesar de colossal, era inteiramente inteligível. É plano, como a sua tenda era rasa, com uma base circular, sobre a qual se erguia a tenda dos céus. A porta virada para Este, a direcção do sol nascente. Assim, os acampamentos de Tipis eram circulares e representavam os círculos ou “arcos do mundo”, sendo um conceito recorrente nos mitos e cerimónias.

A cerimónia religiosa mais característica dos Índios da Planície era a Dança do Sol, dedicada aos Pássaros Trovão. A ideia era simples – pelas suas roupas, a sua dança, as flautas com som de pássaros, jejuando, não bebendo água e outros sacrifícios, os dançarinos do sol esperavam induzir os Pássaros Trovão a parar, trazendo chuva para alimentar as ervas das pradarias. Isto traria o Bisonte e outros bens de que o povo dependia. A chuva também germinava as plantações de milho, feijão e abóbora, que as mulheres plantavam junto das correntes de água.

O Sudoeste

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Alguns dos sítios arqueológicos melhores preservados das culturas nativas dos Estados Unidos, encontram-se numa região árida mas magnificamente cénica, conhecida pelos antropólogos como o Sudoeste. Ao princípio, esta área cultural estava definida para incluir unicamente o Arizona e o Novo México, mas foi agora estendido para incluir áreas adjacentes no Sul do Utah, sudoeste do Colorado a Norte do México. O elevado desenvolvimento cultural, baseado na agricultura, é ainda mais notável em vista das características desérticas da maioria desta região.

Talvez que a melhor conhecida subdivisão cultural do Sudoeste é aquela representada pelas chamadas tribos “pueblo”. Estes viviam em povoações ou cidades, ao longo do Alto Rio Grande no Novo México, nas vilas Hopi no noroeste do Arizona, e os Zuni no Oeste do Novo México. O seu governo era teocrático e cada Pueblo segue um estrito calendário cerimonial de raízes mitológicas. Desde que uma adequada chuvada é crucial para a vida destas comunidades, não é de surpreender que a maioria das cerimónias, e os mitos representados, estão relacionados com a chuva e a fertilidade das suas colheitas.

Os Pueblo dividem as suas entidades em duas grandes categorias. Os deuses representam os poderes e as divisões da natureza. O Pai Sol e a Mãe Terra são as grandes entidades do panteão, mas cada um é conhecido por muitos nomes e assume variadas personalidades. Também existem animais deuses, ou Anciãos, que são intermediários entre o homem e os deuses superiores, patronos das fraternidades religiosas. Outra entidade, associada tanto com os poderes subterrâneos como com os celestiais, é a Serpente Emplumada, entidade relacionada com a trovoada, a chuva e a fertilidade. Esta divindade refere-se ao famoso Quetzalcoatl mexicano, assim como à Serpente Gigante com cornos e a Pantera subaquática, do Este da América do Norte.

O segundo grupo de poderes elevados, é composto pelos ancestrais e totémicos Kachinas. Originalmente limitados aos espíritos ou medicina personificada, poder dos antepassados ou personificações de poder similar em outros objectos. Em geral, os Kachinas são antropomórficos. São muito numerosos e cada qual particularmente distinto em atributos, costume e comportamento. Pequenas bonecas Kachina, eram feitas pelos parentes, para as suas crianças se acostumarem às características máscaras e vestidos, destes seres sobrenaturais.

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Across the Southeast of the United States of North America a great corn-fed civilization had arisen, that of the Temple Mound Builders, so named for the religious edifices which topped their great earth thumps. Also called the Mississippian culture in nod to its stronghold in the bottomlands of the Mississippi and Ohio, it aroused around 750 AD, lasted into the historic period, and would penetrate as far westwards as Oklahoma and northwards to Wisconsin.

The Temple Mound Builders did not spring pure-formed out of the air, but were the culmination of other local cultures, dating back to at least 1000 BC and the Adena of the Ohio, who constructed earthen mounds as burial sites for their deceased. Many traits of Adena culture were carried on by successive mound-building culture, the Hopewell, which radiated out from Ohio to Amerindian villages in the Midwest and east. More sophisticated agriculturalists than the Adena, the Hopewell were also major league artisans, securing obsidian from Yellowstone, tortoiseshell from the Gulf of México, silver from Ontario, bear teeth from Wyoming, all fashioned for adornments, religious ritual or as grave goods. One of the Hopewell’s most distinctive artifacts was a tubular stone pipe with animal effigies; in the pipe they smoked tobacco, not for pleasure but for ceremony. It was due to the Hopewell that pipe-smoking became universal amongst the amerindians of North America.

Hopewell pipe.

By 500 AD the Hopewell culture was in terminal decay. In is steed arose the Mississippian, with the shift to major cropping of corn encouraging more complex political and social structures; nowhere was this more clearly seen than in the Mississippian capital of Cahokia. Other best known sites are Emerald, Moundville, in the south, Etowah and Ocmulgee, and in the west, Spiro, Oklahoma.

Mississippian towns were usually established on an island or near a river. A plaza laid out, with several houses and temples enclosed by a palisade. Dwellings were constructed of long saplings set upright in trenches, and the roof frameworks was woven like a huge basket. The exterior surfaces of the walls were lathed with cane and plastered with clay. Temples seem to have been built over demolished or outworn council chambers: the flat-topped pyramids becoming the foundation for the temples. Elsewhere, entire hilltops were leveled off and terraced to create plazas, with temple mounds built on top. These traditions of building activities alongside with the practice of human sacrifices reflect Mesoamerican influences, although the architectural results were more primitive.

Over the river from modern-day St Louis, Cahokia gathered within its palisades walls over 10.000 people, ruled over by small nobility, themselves under the tutelage of an absolute monarchy, the Great Sun chief. This was a rigid theocracy, whose lieder was not permitted to put foot to the ground, so was carried in a litter. Society was stratified into Priests, Noble, Honored and Stinkard classes. Cahokia was the capital of the Temple Mound people from around 850 to 1150 AD, during which period they aggressively expanded their civilization. Military prowess was rewarded by promotion to the next class, though that to Noble was very difficult. Stinkards were replenished from conquered peoples.

Representation of warriors show wooden armor and a sword-like weapon and too many bronze weapon heads found to be explained as modern intrusions. A sculpture from the Spiro mound in Oklahoma, the western outpost of Mississippian culture, shows a warrior that wears a helmet and armor (possibly copper) on is back and front chest, and he holds a club made from a single piece of polished stone. He wears also a short breechclout. It is possible that they also used a war club of about 60cm long and described by white traders as “gun-shaped”, with an iron projection at the bend – suggesting a very similar weapon to that used by Amerindians of the Northeastern Woodlands.

Wooden or leather shields, breast pieces, arm and leg bracelets afforded some protection.

Other weapons probably used were the long bow, slings and lances, the latter surely used in the Chunkey game that was a form of widespread Amerindian game of hoop and spear, played by the Mississippians and by the historic Choctaws and Creeks during the 18th century, as witnessed by white traders. They seem to wear painted faces with particular emphasis around the eye probably representing the falcon, a bird with a formidable hunting and killing speed of attack – and thus perhaps connected with the “Southern” or “Death” Cult. Common colors were red, black and white.

In large areas Temple Mound Buildings become associated with the Death Cult or Buzzard Cult, which bound the various Mississippian chiefdoms together. The Cult was named after one of its principal practices that was the torture-sacrifice of enemy warriors, whose severed heads would later be displayed on poles around the temple. Purification came from an emetic, the cassina-based “Black Drink”, taken “until the blood comes”.

By the time the Spanish tramped to the Mississippi, Cahokia had long been left to the weeds, so had Moundville and Etowah. Yet across the south, the European encountered numerous still extant nations of Temple Mound Builders, including the Taensa, the Cherokees, Timucuas, Coosas, Muskokees, Mobiles, Quapaws and Chickasaws. These peoples when questioned about their Mound Building ancestors seemed to know little of their predecessors, although cultural traits clearly did survive. The annual rekindling of the sacred fire, an earthly symbol of the Sun, color symbolism and the Puskita or Busk (a kind of New Year or world renewal celebration which took place when the corn ripened) were all descended from Temple Mound culture. Of them all, it was the Natchez nation who practiced the old Mississippian culture in its strongest form, complete with caste system ruled over by the Great Sun.

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