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Archive for the ‘América do Sul’ Category

VALDIVIA

Fonte: Internet.

 

Valdivia foi uma cultura que se desenvolveu entre 3.500 e 1.500 a.C. na costa ocidental do Equador, encontrando-se principalmente na Península de Santa Elena e também no estuário de Guayas, nos rios Manabí e Oro. O desenvolvimento da cultura valdiviana e muitos dos seus elementos culturais, como a cerâmica, difundiram-se rapidamente para as áreas vizinhas. Sendo uma verdadeira cultura do período Formativo, não há duvidas de que os valdivianos seguiram as tradições arcaicas da caça, pesca e a recolecção de moluscos; porém não se encontrou até agora provas claras de que fosse uma cultura intensivamente agrícola.

Como todas as sociedades da época, a cultura valdiviana teria uma organização do tipo tribal. Regulavam a sua vida através da reciprocidade e os laços de parentesco, que asseguravam a sobrevivência do grupo. É possível que tivesse contado com chefes especialistas nas relações com a esfera sobrenatural. Actualmente conhecem-se 22 sítios num período de 1.000 anos. Em Real Alto, que tinha uma população estimada em 2.000 habitantes; as casas estavam distribuídas ao redor de uma praça aberta. Pelas suas dimensões, possivelmente albergavam vários grupos familiares, tendo uma forma oval de 12 m por 8 m e era delimitada por valas. Parece que a população usava pinturas corporais, colares, adornos labiais, orelheiras e alucinogénios. A presença de enterros debaixo do piso argiloso das cabanas residenciais é bastante característica de muitas sociedades agrícolas. De facto, os enterros servem como títulos de propriedade que indicam cuja linhagem é dona da propriedade. Talvez os valdivianos fizessem o mesmo. A presença de uma “matriarca” num enterro especial no montículo do ossário de Real Alto reflecte, possivelmente uma organização matricial para a cultura de Valdivia.

A economia de Valdivia era mista, baseada na agricultura e na obtenção directa de recursos naturais. As culturas principais eram o milho, feijões e abóboras. É possível que também plantassem malaguetas e amendoim, assim como algodão. Recolectavam frutos silvestres como papaias, pinhas, anonas e caçavam veados, pescavam e recolectavam mariscos.

Fonte: Internet.

A cultura valdiviana destaca-se por ser uma das primeiras sociedades ameríndias em que se massificou o uso da cerâmica. Confeccionavam principalmente panelas, tigelas, sempre de boca larga e base côncava. Para a decoração destas vasilhas empregaram várias técnicas, como o modelado, o inciso ou estampado, com o que realizavam motivos geométricos, sobre vasilhas geralmente polidas. Outro elemento destacável da olaria desta cultura, são as figurinhas, cuja maioria representam mulheres nas suas distintas fases da vida feminina; como a puberdade, a gravidez ou o parto. A importância que tinha o adorno pessoal para esta cultura, também se mostra em figurinhas com adornos labiais, colares e orelheiras. Estes elementos eram feitos principalmente de conchas marinhas como o molusco bivalve e o búzio que, posteriormente teriam grande importância para o ritual dos povos andinos.

Os almofarizes em forma de felinos, macacos ou papagaios serviam para pulverizar substâncias medicinais e alucinogéneos, sendo que a folha de coca com cal eram os elementos mais utilizados. Estes objectos figuram entre a parafernália dos antigos ritos de transformação religiosa facilitada pelo uso de plantas de poder. Estes almofarizes, caracterizados por ter um recipiente côncavo, foram utilizados também para moer alimentos, preparar pigmentos ou colorantes, folhas medicinais ou veneno, para as suas actividades de caça ou magia. À sua função, acrescentaram frequentemente elementos artísticos ornamentais.

Fonte: Internet.

As Vénus de Valdivia são figuras de barro ou pedra, famosas por realçar as formas femininas, usualmente despidas, e por usarem penteados de todos os tamanhos. O penteado nesta cultura, quanto mais elevado era, indicava que a mulher tinha uma hierarquia mais importante dentro do seu grupo. O barro para executar estas peças era extraído do solo e rapidamente se converteram numa referência posterior, já que foi uma temática muito repetida. Por este facto, vemos a diferença estética e técnica nas diversas culturas posteriores.

Todas as figuras de barro e pedra da cultura valdiviana têm as mesmas características. Olhos registados simplesmente com uma incisão e em forma de grão de café; linha grossa de sobrancelhas que faz a forma do nariz; braços junto ao corpo e pernas sem pés. Além do mais, têm formas arredondadas e todas elas têm marcado o sexo, sobretudo os peitos. Outra característica importante são os complicados penteados que todas elas envergam. Ainda que se tenha teorizado muito acerca da sua finalidade, questionando-se também o nome dado de Vénus; encontraram-se muitas destas peças em tumbas e enterradas nos campos. Crê-se que seriam uma espécie de talismã para fecundar a terra e para propiciar a fertilidade.

O enterro de defuntos realizava-se nos mesmos montículos das habitações, ainda que não seja claro se estas eram abandonadas depois. Por vezes, as crianças eram sepultadas em vasos de cerâmica. Encontraram-se enterros de todos os tipos, primários e secundários, individuais e colectivos. Os cães domésticos também eram sepultados, seguindo um padrão funerário parecido ao dos seus donos. A grande quantidade de figuras fragmentadas, encontradas nos sítios arqueológicos, faz pensar que estas eram elementos de uso ritual. Estes estavam possivelmente associados à fertilidade, apresentando algumas delas rostos inchados e pequenos recipientes para guardar a substancia que liberta o alcalóide.

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OS ANDES CENTRAIS

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Área total andina, na costa do Pacífico da América do Sul. Fonte: Internet.

As várias culturas dos Andes na América do Sul criaram uma das civilizações mais sublimes que o mundo conheceu. No contexto de um formidável e transcendente ambiente, estes antigos povos não sobreviveram e prosperaram como dedicaram um tempo e energia preciosa em realizações estéticas, desde elaborados rituais a vastas cidades, de delicados trabalhos em ouro a têxteis sumptuosos.

Dados os extremos ambientais é surpreendente que os seres humanos tivessem vivido durante tanto tempo e que tivessem prosperado nos Andes Centrais. O extremo Oeste da América do Sul inclui a costa desértica mais seca do mundo, numa estreita faixa que dá lugar há mais longa – a segunda maior cadeia montanhosa do planeta – e a uma das maiores e mais densas florestas tropicais, situada a partir do bordo Este da Cordilheira andina. Os habitats da montanha, a costa marítima, o deserto e a selva requerem distintas estratégias de adaptação e promovem diferentes padrões evolucionários, no caso dos Andes denominados de Montanha Árida, Oásis-Marítimo e Floresta Tropical. Os Incas foram uma sociedade da montanha mas o seu império incorporava povos adaptados às outras condições.

Nenhuma destas três zonas oferece um balanço satisfatório de água e terra para a agricultura, deste modo as populações indígenas tiveram que desenvolver organizações sociais em que a viagem, reciprocidade, diversificação e controlo são cruciais. Estas preocupações encontram-se naturalmente na cultura, já que esta expressa as crenças fundamentais e as práticas dos criadores de arte. O mar, dando abruptamente lugar ao deserto, que por sua vez ascende rapidamente para os Andes e que seguidamente desce para a selva, providencia estas tradições com uma série de extraordinários contrastes. A unidade, assente no equilíbrio da dualidade, as relações complementares parecem imbuir a arte, a política e a religião desta área.

As dunas de areia do deserto, algumas das quais sem qualquer registo de precipitação, mergulham rapidamente no Oceano Pacífico onde as profundas correntes de Humbolt, de águas frias, acomodam uma prodigiosa cadeia alimentar marítima. As proteínas disponíveis pelo mar fazem da área costeira uma fonte vital para as populações das montanhas, assegurando a necessidade de comércio, até mesmo de conquista, ao longo dos séculos. Além do mais, a costa árida actuou como um refúgio perfeito para a preservação de arte enterrada. Os povos antigos tinham consciência da natureza preservativa da areia seca; até as culturas da montanha enterraram aqui os seus tesouros assim como enviaram os seus corpos e trabalhos de arte para se manterem intactos na outra vida. De facto, a mumificação artificial iniciou-se no norte do Chile com a cultura Chinchorro, séculos antes dos famosos Egípcios iniciarem uma tradição similar no dito Velho Mundo.

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As várias regiões dos Andes centrais. Fonte: Internet.

A costa do deserto é segmentada pelos rios que vêm de Este para Oeste, trinta dos quais ligam directamente ao oceano as altas fontes glaciares dos Andes. No entanto, estas correntes com relativa baixa quantidade de água não são suficientes para irrigar as areias ao longo das suas margens, para além de alguns hectares. O efeito derradeiro do ambiente da costa foi o de isolar e regionalizar as primeiras culturas costeiras em pequenas unidades. Assim, os estilos de arte costeira variam tipicamente de um vale para outro. No entanto, sobretudo através de grandes projectos hidráulicos, os estados Nazca, Moche e Chimú conseguiram unificar amplas áreas costeiras. Mais tarde foram os Incas imperiais que conseguiram integrar todos os Andes, de maneira a que os ambientes complementares da costa e montanha juntos pudessem providenciar uma base de sustentação para todos. Mesmo assim, nem os poderosos Incas podiam evitar a dilaceração periódica trazida pelo conhecido El Niño, uma força maciça de desastre ambiental que continua a fustigar as costas andinas ainda nos nossos dias. Incaracterísticas correntes de águas quentes trazem consigo chuvas torrenciais, produzindo cheias e erosão que alteram profundamente a costa em cada geração. Em parte, o El Niño é responsável pelo estado ruinoso das antigas capitais costeiras como Cerro Blanco ou Chan Chan. Este é um dos muitos factores dos quais o ambiente dos Andes desafia a existência humana, trazendo a sua imprevisibilidade um sentimento de ansiedade aos seus habitantes.

Com picos tão altos como no Monte Aconcagua a 6.960 m, os Andes ficam apenas abaixo dos Himalaias em altitude, enquanto ultrapassam estes últimos três vezes em longitude, estendendo-se por 7.500 km. Apesar das montanhas serem a fonte dos rios costeiros, existe um volume de água extremamente baixo nos rios montanhosos. Dadas as encostas montanhosas serem de precipício, apenas ténues áreas de terra arável podem ser exploradas. A combinação de altitude extrema e a consequente força dos raios solares ultra violeta representa um calor abrasador durante o dia, baixando a temperatura 50 graus durante a noite. Poucas plantas alimentícias crescem, das quais apenas ervas secas no planalto a 4.800 m, batatas a 4.200 m, milho a 3.400 m, e coca – um estimulante e supressivo de apetite – a 1.200 m.

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Condições gerais do ambiente nos Andes centrais. The Incas and their Ancestors. Thames & Hudson, 2004.

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The Incas and their Ancestors. Thames & Hudson, 2004.

Duas fontes de energia, tectónica e solar, modelaram a Cordilheira Sul Americana numa terra de extremos ecológicos. A energia tectónica compele o movimento de Oeste da placa continental para fatigar o movimento marítimo de Este da placa de Nazca em níveis elevados, superiores a 15 cm por ano. A base oceânica cava-se numa abismal trincheira já que é subtraída debaixo da terra firme. A longa margem continental está em compressão, impulsionada para cima e apertada num longo paralelo de altas montanhas que se estendem da costa das Caraíbas da Colômbia até à Terra do Fogo. O clima é produto da energia solar conformada pela atmosfera e o oceano, sendo que à milhões de anos atrás a Cordilheira central cresceu suficientemente alto para dividir o clima continental entre os regimes do húmido Este e o seco Oeste. Normalmente toda a precipitação andina vem do distante Oceano Atlântico. As altas escarpas do Este capturam muita da humidade criando sombras de chuva a Oeste onde prevalece o regime árido do Pacífico.

Onde os Andes são mais altos e largos o plano montanhoso forma um H gigantesco, sendo a barra de ligação formada pelos picos de Nudo de Vilcanota. A distância Oeste, a Cordilheira Negra, apresenta-se em frente do deserto de Atacama. A secção a Este, a Cordilheira Branca, faz frente à Amazónia e amortece as nuvens vindas do Atlântico que trazem quase toda a chuva para a região andina. A Sul dos picos de Vilcanota as duas alturas divergem para enquadrar o planalto, uma imensidão de terra fechada através de planícies elevadas com 800 km de comprimento. A drenagem escorre para Sul através de uma rede de bacias e lagos. No Sul do Chile estas formam caldeiras de sal e as parcas terras com ervas que aí se encontram são chamadas de puna salgada. À medida que os Andes se vão tornando mais altos tornam-se secos. No entanto as pastagens da puna não são salgadas no planalto Norte, que forma a mais larga extensão de ininterrupta terra direita arável dos Andes, à volta do lago Titicaca, que drena a Sul para a Bolívia no lago de Poopó.

A Norte das montanhas de Vilcanota, as terras altas lascam-se em longas e estreitas distâncias em paralelo com a Cordilheira Negra e Branca, recortadas por numerosas pequenas punas de ervas e uma rede de bacias de serra baixa, chegando a um airoso ponto baixo tropical no Equador. À medida que a altitude decresce aumentam as chuvas e as terras com vegetação, conjuntamente com as bacias das serras do Norte do Peru que são relativamente luxuriantes. Cerca de 90% da água andina desce para a linha divisória Atlântica, enquanto apenas 10% desce para o Pacífico.

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Fonte: Internet.

Os Andes também canalizam as correntes maritimas. Fortes ventos diários, vindos do oceano, são desviados para Norte, pela Cordilheira Negra, causando o fluxo do mar para Norte ao longo da margem continental. Correntes ascendentes levantam-se das profundezas da trincheira tectónica propulsionando correntes extremamente frias mas ricas em nutrientes aquáticos para a superfície. As correntes frias geraram uma inversão de temperaturas, inibindo as chuvas costeiras, produzindo assim o deserto de Atacama. Desde o centro do Chile até à boca do rio Santa, no Norte do Peru, existe pouco ou nenhum recife continental. O rio Santa irrompe pela Cordilheira Negra e arremessa águas abundantes para o oceano. A Norte dele os Andes afastam-se da costa como um longo recife continental, emergindo uma planície costeira que se expande para Norte, compreendendo terras agrícolas abundantemente irrigadas da Cordilheira mais quente e baixa, dando lugar a grandes vales de oásis no Norte do Peru.

A Cordilheira apresenta muitas formas severas de stress crónico e episódico sobre os humanos. Alimentar as pessoas não é fácil por causa da baixa produtividade e da limitada diversidade biótica que tipifica o deserto e os ecossistemas das altas montanhas. Nos Andes Centrais a maioria das pessoas vive tradicionalmente acima dos 2.500 m, onde os corolários adversos da altitude incluem terreno áspero, topografia frágil, declives escarpados, solos pobres, terra arável limitada, estações de crescimento curtas, altos ventos, aridez, elevada radiação solar, chuva errática, nutrição precária, frio e hipoxia. O descanso e o trabalho são mais esforçados e a energia mais requerida acima dos 2.500 m devido ao aumento das necessidades respiratórias e circulatórias. Além do mais, para manter a temperatura do corpo nas frígidas terras altas é requerida uma energia adicional para sustentar elevados índices da base metabólica. Deste modo, o frio e a anoxia obrigam as pessoas a comerem mais, sendo que se estima que os montanheses necessitem cerca de mais 11.5% de calorias do que as pessoas das terras baixas. Consequentemente, custa proporcionalmente mais o suporte de vida e da civilização nas montanhas do que nas terras baixas. A vida é também mais precária porque faltas de comida comparáveis, causadas pela seca e outros desastres, exercem uma grande dureza nutricional a grandes elevações do que em terras mais baixas.

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Uma manada de lamas no vale de Calca, Peru. The Incas. Thames & Hudson, 2011.

Dado que as terras montanhosas consistem numa série de zonas agrícolas dependendo da altitude, a estratégia adaptativa desenvolvida pelos povos andinos foi a verticalidade e a sua base de subsistência consistiu na agropastorícia. Com a intenção de obter toda a comida e materiais necessários, as pessoas de diferentes altitudes transcorreram fisicamente as zonas de recursos, comerciando entre si num sistema de estrita reciprocidade, estendendo-se este princípio às relações de parentesco em ordem a cimentar os níveis de interdependência social e económica neste sistema vertical. Os montanheses dependiam mais de diferentes zonas de recursos para obterem bens alimentares essenciais e materiais artísticos do que as populações costeiras. Por essa razão foram os povos da montanha que geraram em larga escala os movimentos de unificação politico-religiosa, através das zonas ecológicas. Estes movimentos, a um grau limitado, incorporaram as imagens e produtos da selva. A arte das montanhas reflecte uma preocupação com a sobrevivência e incorpora o conceito em si de verticalidade. A um nível prático, os montanheses sempre dependeram dos camélidos americanos – lamas, alpacas, guanacos e vicunhas – para a obtenção de proteínas, combustível e tecidos. Estes animais eram cruciais para o transporte de objectos e pessoas através do terreno rugoso, figurando na iconografia das terras altas e em alguma da costeira. A verticalidade não foi apenas uma dinâmica socio-económica, ela também é expressa de forma mais abstracta, alcançando a partir de uma forte ênfase topográfica na arquitectura, inclusive nos recorrentes padrões escalonados das artes visuais.

Apesar da selva amazónica nunca ter estado formalmente unificada com a costa ou a montanha, estava inquestionavelmente envolvida ao nível da inspiração, simbolismo e comércio de bens materiais exóticos. As terras baixas ribeirinhas eram frequentemente concebidas como lugar de origem, certamente como focos de abundância e fertilidade. Animais como o temível caimão e o ágil macaco podem ser vistos em obras de arte distantes dos habitats da selva. A Amazónia funcionava como uma importante fonte de produtos estéticos inacessíveis e altamente requeridos, como penas, tintas e fibras de plantas. No entanto, as florestas de chuva mantinham-se demasiado remotas e inacessíveis para uma conquista por parte dos andinos.

Mesmo os ambientes mais marginais têm as suas vantagens para a arte e a sociedade. A própria dureza e incompatibilidade das diferentes zonas parece ter desafiado os povos antigos a forjarem fortes organizações sociais. Essas redes sociais encontraram nos artistas suporte e proeminência, da mesma forma que os providenciaram com diversos materiais, imagens e ideias. Contudo, paralelamente à ênfase do controlo, estandardização e pensamento colectivo, as culturas andinas também parecem ter desenvolvido um clima social de virtuosismo artístico; talvez vindo do mesmo espírito determinado que lhes permitiu construir impérios na orla do mundo. A interacção entre a criatividade e os constrangimentos é, sem duvida, uma das características mais interessantes da sociedade, arte e arquitectura dos Andes.

 

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May 20, 2016–September 18, 2016
Yale University Art Gallery Exhibit, New Haven, Connecticut

Tunica

Moche-Wari tunic. a.d. 600 – 900. Visual Encyclopedia of Art, Scala Group 2009.

“Weaving and the Social World: 3,000 Years of Ancient Andean Textiles”
celebrates the importance and beauty of ancient Andean textiles, demonstrating the wide spectrum of their designs and functions. The exhibition presents works on loan from two private collections, including tunics, mantles, and wall hangings as well as related feather, gold, and silver ornaments; weaving implements; and ceramic vessels. Characterized by graphically powerful images of deities, animals, and geometric motifs and by advanced weaving techniques, the objects on view represent one of the world’s oldest and most important textile traditions.

Weaving was a significant artistic achievement of ancient Andean cultures in South America. Lacking written languages, societies used textiles as the primary means of transmitting images and ideas. Clothing identified a person’s gender, status, occupation, wealth, and community affiliation. Over time, textiles played an increasing role in political and religious ceremonies, particularly funerary rituals. Garments worn in life were buried with the dead, and the bodies of high-status individuals were wrapped in layers of fabrics and accompanied by cloth offerings. Textiles were also used to make votive dolls, wall hangings for shrines, clothing for figurines, bags, and other items.

Andean weavers used portable looms lashed to posts or trees with vertical warp and horizontal weft threads. A textile’s width was limited by the size of the loom, but sections could be stitched together to make larger fabrics. Textiles were produced using plain weave as well as complex techniques, such as tapestry weave and scaffold weave. Scaffold weave was unique to the Andes, while tapestry was common in Europe—although Andean tapestries incorporated finer yarns, were more tightly woven, and were finished on both sides. Additional techniques included embroidery, brocading, dye painting, tie-dye, and sewing bird feathers onto plain weaves. Threads were made from cotton native to the coast and wool from highland camelids (llamas, alpacas, and vicuñas). Andean dyers used fine organic dyes, achieving a range of more than one hundred colors. Raw materials for weaving were traded and distributed throughout the Andes. Finished textiles and other goods flowed among widely dispersed communities and major cities as tribute, gifts, or items of trade.

Tear

Andean traditional weaver. Photo: Internet.

The textiles in the exhibition represent the most significant ancient Andean cultures— including the Chancay, Chavín, Chimú, Moche, Nazca, Inca, Paracas, Sihuas, and Wari societies— and they range in date from as early as 900 b.c. to the sixteenth century a.d. Bold geometric motifs are incorporated into many of the designs, including a striking Inca tunic with a black and white checkerboard pattern, accented with a section of bright red, and Nazca tunics with chevrons, stepped diamonds, and fret motifs. Supernatural beings are also common subjects: a hand-painted Chavín mantle portrays a fanged goddess; colorful Crested Moon Animals march across a feathered Chimú tunic; and the Rayed Deity, thought to represent the sun, is powerfully resplendent on Sihuas mantles.

Animals of sky, sea, and land are depicted in stylized and naturalistic forms. An extraordinary Chancay sleeved tunic portrays condors, the large soaring bird of the Andes, in threedimensional embroidery, seen from above as if in flight. A finely embroidered Nazca mantle features a dense, repeating pattern of stylized killer whales. One wall of the exhibition galleries displays a stunning array of colorful textiles created with feathers from tropical birds of the Amazon Basin.

Exhibition co-curator Dicey Taylor explains, “Few museums have been able to present a comprehensive exhibition of complete textiles from all of the major Andean cultures. Most exhibitions have focused on particular cultures, such as the Inca, or particular types of garments. Weaving and the Social World is unique in its presentation of largely intact textiles, some in almost pristine condition, from the broad spectrum of Andean societies that rose and fell in ancient times.”

http://artgallery.yale.edu/exhibitions/exhibition/weaving-and-social-world-3000-years-ancient-andean-textiles

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Fonte: Internet.

Fonte: Internet.

Esta reportagem data de 25 de Julho de 2015, tendo sido difundida por Michael Ruggeri (Famsi) agradecendo a Charles Mann pela indicação do relatório completo.

Uma equipe internacional de investigadores tem estudado habitações encontradas na Amazónia, tendo chegado à conclusão que esta região foi densamente habitada por uma população que se estima ter tido entre os oito a quinze milhões de pessoas no ano de 1492. Descobriram também que 83 espécies nativas foram cultivadas nessa região. Rastos evidentes de múltiplas cidades de dimensões consideráveis foram também descobertas. A equipe de investigadores encontrou sistemas extensivos de gestão de terras, cidades que teriam congregado populações de 10.000 habitantes, com milhares de metros de terrenos agrícolas em seu redor. Grandes estruturas trabalhadas em terra foram encontradas conjuntamente com cemitérios, canais e calçadas. A actividade que levou a este sistema terá sido iniciada por volta de 3.000 anos antes de Cristo. Por toda esta região encontrou-se evidencia de uma mistura de solo criada por seres humanos, que se designa por “terra preta”, permitindo uma fértil colheita agrícola. Estas populações teriam cultivado milho, limão, nozes do Brasil, árvores de fruto e palmeiras. Centenas de sítios arqueológicos, neste contexto, já foram encontrados.

Reportagem no Daily Mail: http://dailym.ai/1DFrm00

Relatório da investigação publicada na Royal Society, Inglaterra:

http://rspb.royalsocietypublishing.org/content/282/1812/20150813

Groundbreaking report on Ancient Amazon Civilizations that reached millions in population

An international team of researchers have been investigating ancient human habitation in the Amazon. They have found that the Amazon was once inhabitated by millions of people. Eight million to fifty million may have lived there by 1492. They found that 83 native species were cultivated there. Evidence of sprawling towns that streetched for miles have been uncovered. The researchers have found extensive land management systems, towns that housed 10,000 people each, with miles of extensive agriculture around them. Giant earthworks have been uncovered, along with graveyards, canals and causeways. The activity was widespread by 3000 BCE. All throught these regions, evidence of a man made soil mix called terra preta allowed for fertile crop production. They cultivated maize, squash, Brazil nuts, palm trees and fruit. Hundreds of archaeological sites have already been found.

The Daily Mail has an extensive report here with their usual excellent series of photos and videos;
http://dailym.ai/1DFrm00

And the research was published by the Royal Society in the UK, which has the complete research report here;
http://rspb.royalsocietypublishing.org/content/282/1812/20150813

I want to thank Charles Mann who gave me the heads up on this complete report.

(Michael Ruggeri – Famsi)

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Paracas 1

Localização da zona cultural de Paracas. Fonte: Go2Peru.

Situada na costa Sul, a 18 km de Pisco, sobre uma península arenosa, árida e totalmente desértica, encontraram-se tumbas de uma cultura conhecida como Paracas. Esta palavra pode ser traduzida como “gente de frente grande” ou também por “chuva de areia”. Ambas acepções parecem ser aceitáveis já que os crânios apresentam uma forma aplanada praticada por deformação artificial e os ventos da região cobrem e descobrem com areia as referidas tumbas.

Da origem deste povo, da sua estrutura social e do seu culto, quase nada se sabe. Aparentemente construíram grandes estruturas cerimoniais até ao final do seu período. Em Ica e Cinicha levantaram templos de adobe sobre montículos. Dedicaram grande atenção às práticas mortuárias, observáveis pelos motivos iconográficos que ornamentam cerâmicas e têxteis. Paracas aparece como uma cultura local com influência de Chavín de Huantar.

ca. 1957-1965 --- A lithograph depicting trepanation performed by a first century Peruvian physician, from a portfolio by Robert Thom illustrating the history of medicine. --- Image by © Blue Lantern Studio/Corbis

Ilustração de uma cirurgia de trepanação realizada em Paracas. Imagem de portfolio da autoria de Robert Thom ilustrando a história da medicina. © Blue Lantern Studio/Corbis

No que diz respeito à sua periodização foi classificada em duas fases principais: Paracas Cavernas e Paracas Necrópole, considerando válida a hipótese de J. C. Tello que consigna a Cavernas maior antiguidade e a Necrópoles como a mais recente. Na fase Cavernas, cujo antecedente seria Ocucaje, os enterros foram múltiplos. Os mesmos constam de câmaras sepulcrais redondas, situadas a 3 m de profundidade com 2 m de altura e 4 m de diâmetro. A estas acede-se por um tubo cavado na areia, revestido com pedras de 1,5 m de diâmetro. As câmaras ou Cavernas alojaram, de maneira empilhada, até várias dezenas de fardos funerários. Estes contêm os corpos de defuntos de ambos os sexos e idades em posição fetal, mumificados naturalmente. Alguns dos corpos estão vestidos com turbantes de algodão; outros apenas estão cobertos por um lençol. Um elemento característico das múmias é a grande quantidade de trepanações cranianas com alto índice de sobre vida. O seu enxoval funerário consta de uma quantidade relevante de cerâmica ornamentada e têxteis.

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Tumba de tipo Necrópole apresentando uma planificação arquitectónica e boa construção lítica. Edições Corregidor. Buenos Aires, 2005.

Desta fase existe um santuário de adobe de forma piramidal de 18 por 20 m que ostenta dois grandes murais com imagens de seres mitológicos com características felinas.

A fase Necrópole recebe esta denominação devido a que as primeiras descobertas foram imensos cemitérios, colocados sobre lixeiras e antigos povoados abandonados. Alguns têm tais dimensões que se assemelham a verdadeiras cidades de defuntos; as suas construções constam de uma fileira de quartos ao longo da praia ou por detrás de corredores e pátios. Por último, paralelos aos anteriores, grandes câmaras funerárias, em cujo interior se encontraram fardos funerários. Diferenciando-se da fase anterior os enterros foram individuais, todos adultos do sexo masculino. Tendo em conta a riqueza do enxoval que acompanhava os defuntos, pressupõe-se que o sítio era destinado à classe dirigente. Vários dos fardos continham mais de 150 oferendas de diversa índole das quais, grande quantidade, eram peças de algodão bordadas com lã. Debaixo dos mantos de protecção de cada fardo, aparece o corpo em posição fetal e a cesta onde foram depositados. As múmias mostram turbantes, ceptros como símbolos de cargo social e geralmente estão envoltas com um manto sobre outro em quantidades que variam de dois a onze.

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Dois exemplos de mantas cobrindo fardos mortuários. Thames & Hudson. Londres, 1995.

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Têxtil de estilo Paracas com motivos muito similares aos da cerâmica Nazca. Discovering Art. Inglaterra, 1965.

O motivo religioso principal desta fase é a imagem de uma criatura conhecida como “O Deus Ocultado”, figura frontal de grandes olhos e apêndices ondulantes que terminam em cabeças troféu.

Assim como Cavernas teve influência de Chavín de Huantar, tendo desenhado com essa influência a sua própria forma característica, observa-se na fase seguinte até ao final do período uma transformação para formas que se podem identificar com a cultura Nazca.

 

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Localização de Chavín de Huantar e sua área de influência, no Peru. Fonte: Internet.

A uma elevação de 3.177 m, Chavín de Huantar está situado na confluência de dois pequenos ribeiros, o Mosna e o Wacheksa. O sítio inclui uma área residencial alargada de refugo estratificado e vários remanescentes investigados por Richard Burger, que divide a ocupação em três fases. Datas iniciais de radiocaborno para a Fase de Urabarriu recai em por volta de 800 a.C., apesar do assentamento poder ter começado um século ou dois antes. Inicialmente a comunidade tinha um tamanho modesto, mas durante o período de 400 a.C. a população duplicou ocupando uma área de 15 hectares. No decorrer da Fase final, Janabarriu em 200 a.C., os números voltam a duplicar e cerca de 3.000 pessoas ocupavam o centro urbano de 42 hectares, antes do sítio ter entrado em declínio.

Será relevante ter em conta que o período de existência de Chavín de Huantar corresponde à mesma faixa temporal do desenvolvimento da civilização Olmeca na Mesoamérica, nas terras baixas do Golfo do México.

A ascensão e queda da população local estiveram ligadas ao destino do complexo adjacente de edifícios de maçonaria, conhecido como o Castillo. Menos do que 1/10 da magnitude da grande plataforma de Sechín Alto, o que falta a Castillo em tamanho é compensado pela sua destacável engenharia e o seu maravilhoso trabalho em pedra. A engenharia é fascinante porque um quarto do interior deste edifício é oco e ocupado por um labirinto de estreitas galerias encimadas por grandes placas de pedra. Construído a níveis diferentes, algumas galerias estão ligadas por escadas e por um elaborado labirinto de pequenas drenagens e ventilações que passavam por debaixo das praças exteriores. Seria de mencionar as preocupações com a manipulação ritual da água e, em Chavín, a análise das características acústicas hidrológicas das suas condutas e quartos por Lumbreras e seus colegas em engenharia sugere que o fluxo da água através da drenagem, o som nas galerias e depois saindo do templo, poderia literalmente resultar num estrondoso rugido! No entanto, as galerias serviam mais do que propósitos acústicos. Algumas contêm placas com traços de figuras incisas e pintadas, incluindo um peixe com atributos felinos e quatro exemplos do que poderá ser um caranguejo. Outra galeria escavada por Lumbreras, estava repleta de oferendas votivas de cerâmica fina. O mapeamento sistemático das galerias e características internas revela uma longa e complexa história de construção.

Tradicionalmente, a fachada do Castillo tem sido dividida em dois templos complexos adjacentes, o antigo e o novo. Florescendo durante a Fase Urabarriu, o Templo Antigo mede aproximadamente 109 por 73 m e 15 m de altura, com alas em bloco formando uma praça em forma de U, que se abre para Este. Dentro da praça existe um pátio afundado circular, com escadarias descendentes e depois ascendentes que levam às escadarias do templo central. Cada parede do pátio era ornamentada com um friso representando a procissão de figuras antropomórficas por cima de uma procissão de jaguares. Marchando das escadarias descendentes, a procissão dual convergia nas escadas ascendentes na forma tinku – uma forma de dança cultural andina. Procissões humanas presumivelmente passavam pelo pátio ascendendo à estrutura de maneira similar. O acesso aos vários quartos internos do templo antigo poderia ter sido efectuado por passagens no topo.

Chavín 2

Modelo do centro cerimonial que se encontra no museu de Chavín de Huantar. Fotografia de Kimberly Munro no site Popular Archaeology.

Ao meio da estrutura existem duas galerias, uma acima da outra, com a mais baixa sendo um santuário finamente construído, tendo a inusual forma de uma cruz alongada. Construído no centro da cruz existe uma estela imponente chamada Lezón. Delgada e com 4,5 m de altura, a grande escultura tem a forma de uma faca, com a ponta introduzida no chão e com a outra  extremidade projectada no tecto e chão da galeria superior. Cravada em baixo relevo, a estela representa um ser com um corpo humano cujos dedos terminam em garras. Vestida de uma simples mas fina roupagem, com largos pendentes nas orelhas, a figura tem uma marcada face felina. Os lábios curvam-se para trás expondo dois longos dentes caninos, enquanto as sobrancelhas e o cabelo são representados por serpentes. Variavelmente chamado de Sorridente ou Deus Raivoso, a divindade contempla para Este, ao longo do eixo da galeria escura, confrontando forçosamente qualquer visitante que chega. Levantando uma laje do chão, na galeria imediatamente acima do Lanzón, um acólito oculto poderia falar pela divindade, situada em baixo. Isto levou à proposição de que o Lanzón era um oráculo que falava aos suplicantes privilegiados, que ganhavam acesso ao santuário interior.

O culto do Lanzón cresceu depois de 500 a.C., assim como as facilidades monumentais. Uma plataforma apartada foi construída imediatamente em frente da ala Norte do Templo Antigo. Mais importante, a ala Sul do templo foi expandida lateralmente para Sul mais de 30 m, em várias fases de construção para criar uma larga plataforma em bloco, constituindo a base do Templo Novo.

O Castillo – ou Templo Novo – era ornamentado com um esplêndido trabalho artístico sobre pedra, do qual apenas restam alguns traços no sítio. No alto das paredes exteriores do Templo Novo existiam mais fileiras de cabeças redondas montadas em espigas, de forma que as cabeças esculpidas se projectassem da parede. Estas são as únicas esculturas tridimensionais em Chavín que incluem pássaros estilizados e caninos, assim como seres antropomórficos desenhados com dentes curvos e cabelos em forma de serpentes.

Perto da fachada, no topo do templo, existia uma linha circundando cornijas em baixo relevo, representando jaguares sarapintados e aves de rapina com atributos felinos. Aparentemente, estes formavam uma procissão dual que dividia e partia da parte de trás da plataforma. Cada uma avançava à volta de um dos lados do templo, antes de convergirem em cima do Portal Preto e Branco.

Chavín 3

Página de publicação não identificada. Fonte: Internet.

Entre muitos trabalhos de arte não encontrados no seu contexto original, o último e mais elaborado da arte de Chavín é a estela Raimondi, uma placa monolítica de 2 m descoberta no século XIX pelo naturalista com o mesmo nome. Esta representa o deus do Lazón, após 500 anos de evolução, como um ser sobrenatural olhando em frente, ainda com garras nos dedos e cabelo serpentino. No entanto, agora, ele está ricamente ornamentado, culminando num toucado raiado em torre, maior do que a própria divindade. Falando de poderes sinergéticos, o ser sobrenatural segura duas varas elaboradas, um grande bastão em cada mão, unindo assim as esferas duais da sociedade e cosmos andinos. Cristalizado primeiro em Chavín, este motivo do Deus do Bastão, de síntese sobrenatural, ressoará novamente através dos Andes em tempos muito mais tardios.

O trabalho em pedra de Chavín de Huantar foi inquestionavelmente produto de mestres artífices e o Castillo reflecte uma engenharia profissional assim como um relevante trabalho corporativo. Como este centro veio a organizar os seus recursos, a resposta poderá estar na maneira em que o tributo e suporte eram obtidos de populações distantes. Isto não era feito pela exportação de objectos produzidos localmente, de pedra ou cerâmica. O monumental trabalho de arte em pedra, da iconografia corporativa de Chavín, encontrava-se no próprio local . Quando a pedra talhada é ocasionalmente encontrada em centros contemporâneos noutras regiões, representa produções locais que podem ou não incluir atributos encontrados em Chavín, sendo o mesmo verdade para a cerâmica. Aquilo que estava a ser exportado era a palavra de um culto, de um deus que sorria ou rosnava no princípio e que tempos depois transportava os bastões dualistas da unidade social e cósmica. A disseminação talvez envolvesse missionários prosélitos; mais provavelmente envolvia peregrinos devotos que eram ritualmente ungidos no Castillo para espalhar a fé, porque existe uma grande variação regional na expressão da ideologia de Chavín.

Na ausência de papel, tradicionalmente os têxteis serviam como meios de graficamente disseminarem as ideias e ideologias nos Andes, devido à sua flexibilidade e portabilidade. O maior e único corpo de arte de Chavín, encontrado para além do sítio típico, é um resto ocultado de várias centenas de peças de algodão numa tumba despojada em Karwa, na Península de Paracas. Estas peças não eram vestuários mas largos painéis de algodão com motivos de Chavín e, pelo menos 25,  são a representação do Deus do Bastão; pintados em vermelho alaranjado, bronzeado, castanho, verde e azul. A maioria destes trabalhos, muito iconográficos, era de tamanho substancial, portanto propicias para mostras públicas como bandeiras, entradas de tendas ou pendentes para muros.

Chavín 5

Desenho de um têxtil de Karwa, representando uma divindade feminina. O estilo de Chavín foi exportado ao longo de 500 milhas desde o seu centro. Ferdinand Anton, Thames and Hudson, 1987.

O espalhar da influência ideológica de Chavín durante a Fase Janabarriu de 400 a 200 a.C. estava em parte relacionado com uma seca recorrente na Cordilheira. Se a chuva declina e a produção alimentar é afectada, então supõe-se que pessoas, produtos e a informação deveria mover-se ao longo de grandes distâncias para satisfazer as necessidades básicas. Permitindo que os “peregrinos” viajassem pacificamente através do campo, o culto do Lazón facilitava a mobilidade e a interacção era benéfica para o comércio e a difusão de tecnologias inovadoras em muitos meios, incluindo os têxteis.

Alterações durante os tempos Janabarriu não foram simplesmente económicas mas sociais e políticas. As escavações de Richard Burger em áreas residenciais, em redor do Castillo, indicam que durante a época da seca, entre 400 e 200 a.C., as pessoas que residiam perto do monumento tinham uma dieta melhor e mais proteínas de camelídeos do que aquelas que viviam nas margens do assentamento. O estratificar das classes sociais é evidente em Kuntur Wasi nas montanhas do Norte, onde cientistas da Universidade de Tóquio recuperaram quatro tumbas com 2,3 m de profundidade, cortadas no topo de um montículo-plataforma primordial. Cada uma continha um indivíduo singular com ricas oferendas que caracterizam as elites kurakas mais tardias. As tumbas de Kuntur Wasi e as da necrópole de Paracas apontam para um processo de difusão na formação de estratificações sociais. Em parte, este processo é explicado pela “teoria da circunscrição” que defende que existem limites para a terra arável e água nos vales costeiros e nas bacias serranas. Quando o aumento da população atinge estes limites, então aumenta a competição sobre os escassos recursos e os conflitos promovem a ascensão do autoritarismo secular e da liderança. Porque as circunscrições de recursos são mais constrangidos durante os tempos secos do que nos húmidos, a seca contribui provavelmente para a ascensão da liderança secular e a diferenciação social, durante o Horizonte Inicial.

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October 1, 2014-May 3, 2015

Ethnography Museum of Geneva, Switzerland Exhibit

peru

“Mochica Kings: Divinity and Power in Ancient Peru”
A collection of artifacts from Peru’s ancient Moche culture has become more than an object of admiration for its undisputed artistic importance and will be on display at the Ethnography Museum of Geneva (MEG), in Switzerland.
Starting early next month “Mochica kings: Divinity and power in ancient Peru” will be showcasing latest treasures unearthed from the tomb of the Lord of Ucupe, buried between 340-540 CE and is located 475 miles north of the nation’s capital Lima.
From October 1st, 2014 through May 3rd, 2015, the exhibition will be displaying artifacts such as bottles, glasses, nose-rings, crowns, masks and diadems.
According to the Minister of Culture, the exhibition is aimed at promoting Peruvian ancient cultures worldwide, therefore it has authorized the departure of said valuable objects belonging to the National Cultural Heritage to be exhibited in the Geneva’s museum.
“Said artifacts will return to their place of origin within 30 calendar days following the exhibition’s closing date”, the MC noted through a supreme decree.
Renowned for their monumental architecture and rich visual culture, the Moche society inhabited the north coast of Peru during the Early Intermediate Period (AD 100–800).
They were innovators on many political, ideological, and artistic levels. They developed a powerful elite and specialized craft production, and instituted labor tribute payments.
This early Peruvian civilization elaborated new technologies in metallurgy, pottery, and textile production, and finally, they created an elaborate ideological system and a complex religious iconography.
Ethnography Museum of Geneva
Geneva, Switzerland
(NO URL for this exhibit yet)

Peru This Week has the announcement here;
http://www.peruthisweek.com/news-perus-ancient-artifacts-to-be-on-display-in-switzerland-103906

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