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ANCIENT ANDEAN TEXTILES

May 20, 2016–September 18, 2016
Yale University Art Gallery Exhibit, New Haven, Connecticut

Tunica

Moche-Wari tunic. a.d. 600 – 900. Visual Encyclopedia of Art, Scala Group 2009.

“Weaving and the Social World: 3,000 Years of Ancient Andean Textiles”
celebrates the importance and beauty of ancient Andean textiles, demonstrating the wide spectrum of their designs and functions. The exhibition presents works on loan from two private collections, including tunics, mantles, and wall hangings as well as related feather, gold, and silver ornaments; weaving implements; and ceramic vessels. Characterized by graphically powerful images of deities, animals, and geometric motifs and by advanced weaving techniques, the objects on view represent one of the world’s oldest and most important textile traditions.

Weaving was a significant artistic achievement of ancient Andean cultures in South America. Lacking written languages, societies used textiles as the primary means of transmitting images and ideas. Clothing identified a person’s gender, status, occupation, wealth, and community affiliation. Over time, textiles played an increasing role in political and religious ceremonies, particularly funerary rituals. Garments worn in life were buried with the dead, and the bodies of high-status individuals were wrapped in layers of fabrics and accompanied by cloth offerings. Textiles were also used to make votive dolls, wall hangings for shrines, clothing for figurines, bags, and other items.

Andean weavers used portable looms lashed to posts or trees with vertical warp and horizontal weft threads. A textile’s width was limited by the size of the loom, but sections could be stitched together to make larger fabrics. Textiles were produced using plain weave as well as complex techniques, such as tapestry weave and scaffold weave. Scaffold weave was unique to the Andes, while tapestry was common in Europe—although Andean tapestries incorporated finer yarns, were more tightly woven, and were finished on both sides. Additional techniques included embroidery, brocading, dye painting, tie-dye, and sewing bird feathers onto plain weaves. Threads were made from cotton native to the coast and wool from highland camelids (llamas, alpacas, and vicuñas). Andean dyers used fine organic dyes, achieving a range of more than one hundred colors. Raw materials for weaving were traded and distributed throughout the Andes. Finished textiles and other goods flowed among widely dispersed communities and major cities as tribute, gifts, or items of trade.

Tear

Andean traditional weaver. Photo: Internet.

The textiles in the exhibition represent the most significant ancient Andean cultures— including the Chancay, Chavín, Chimú, Moche, Nazca, Inca, Paracas, Sihuas, and Wari societies— and they range in date from as early as 900 b.c. to the sixteenth century a.d. Bold geometric motifs are incorporated into many of the designs, including a striking Inca tunic with a black and white checkerboard pattern, accented with a section of bright red, and Nazca tunics with chevrons, stepped diamonds, and fret motifs. Supernatural beings are also common subjects: a hand-painted Chavín mantle portrays a fanged goddess; colorful Crested Moon Animals march across a feathered Chimú tunic; and the Rayed Deity, thought to represent the sun, is powerfully resplendent on Sihuas mantles.

Animals of sky, sea, and land are depicted in stylized and naturalistic forms. An extraordinary Chancay sleeved tunic portrays condors, the large soaring bird of the Andes, in threedimensional embroidery, seen from above as if in flight. A finely embroidered Nazca mantle features a dense, repeating pattern of stylized killer whales. One wall of the exhibition galleries displays a stunning array of colorful textiles created with feathers from tropical birds of the Amazon Basin.

Exhibition co-curator Dicey Taylor explains, “Few museums have been able to present a comprehensive exhibition of complete textiles from all of the major Andean cultures. Most exhibitions have focused on particular cultures, such as the Inca, or particular types of garments. Weaving and the Social World is unique in its presentation of largely intact textiles, some in almost pristine condition, from the broad spectrum of Andean societies that rose and fell in ancient times.”

http://artgallery.yale.edu/exhibitions/exhibition/weaving-and-social-world-3000-years-ancient-andean-textiles

Fonte: Internet.

Fonte: Internet.

Esta reportagem data de 25 de Julho de 2015, tendo sido difundida por Michael Ruggeri (Famsi) agradecendo a Charles Mann pela indicação do relatório completo.

Uma equipe internacional de investigadores tem estudado habitações encontradas na Amazónia, tendo chegado à conclusão que esta região foi densamente habitada por uma população que se estima ter tido entre os oito a quinze milhões de pessoas no ano de 1492. Descobriram também que 83 espécies nativas foram cultivadas nessa região. Rastos evidentes de múltiplas cidades de dimensões consideráveis foram também descobertas. A equipe de investigadores encontrou sistemas extensivos de gestão de terras, cidades que teriam congregado populações de 10.000 habitantes, com milhares de metros de terrenos agrícolas em seu redor. Grandes estruturas trabalhadas em terra foram encontradas conjuntamente com cemitérios, canais e calçadas. A actividade que levou a este sistema terá sido iniciada por volta de 3.000 anos antes de Cristo. Por toda esta região encontrou-se evidencia de uma mistura de solo criada por seres humanos, que se designa por “terra preta”, permitindo uma fértil colheita agrícola. Estas populações teriam cultivado milho, limão, nozes do Brasil, árvores de fruto e palmeiras. Centenas de sítios arqueológicos, neste contexto, já foram encontrados.

Reportagem no Daily Mail: http://dailym.ai/1DFrm00

Relatório da investigação publicada na Royal Society, Inglaterra:

http://rspb.royalsocietypublishing.org/content/282/1812/20150813

Groundbreaking report on Ancient Amazon Civilizations that reached millions in population

An international team of researchers have been investigating ancient human habitation in the Amazon. They have found that the Amazon was once inhabitated by millions of people. Eight million to fifty million may have lived there by 1492. They found that 83 native species were cultivated there. Evidence of sprawling towns that streetched for miles have been uncovered. The researchers have found extensive land management systems, towns that housed 10,000 people each, with miles of extensive agriculture around them. Giant earthworks have been uncovered, along with graveyards, canals and causeways. The activity was widespread by 3000 BCE. All throught these regions, evidence of a man made soil mix called terra preta allowed for fertile crop production. They cultivated maize, squash, Brazil nuts, palm trees and fruit. Hundreds of archaeological sites have already been found.

The Daily Mail has an extensive report here with their usual excellent series of photos and videos;
http://dailym.ai/1DFrm00

And the research was published by the Royal Society in the UK, which has the complete research report here;
http://rspb.royalsocietypublishing.org/content/282/1812/20150813

I want to thank Charles Mann who gave me the heads up on this complete report.

(Michael Ruggeri – Famsi)

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A pirâmide de Mayapán. Yucatão, México, 1200-1500 d.C. Könemann, 2006.

Algumas das migrações citadas nas fontes escritas referem, provavelmente, povos de diversas regiões que alcançaram sucessivamente o norte do Yucatão. Dentro das probabilidades à que considerar que em épocas anteriores surgiram alianças multiétnicas com povos distantes e que se produziram migrações a grandes distâncias, de modo que este fenómeno não introduz nenhuma novidade no período Pós-Clássico.

Fossem quais fossem as raízes étnicas dos itzá, é um facto claro que a elite que levou Chichén Itzá à categoria de potência hegemónica, no período Pós-Clássico Inicial, era composta por um grupo cosmopolita revisionista, agressivo, rigidamente organizado e firmemente orientado para o exterior; tanto nos aspectos económicos como nos culturais. As investigações mostraram que os itzá não ignoraram – como não reprimiram – as instituições religiosas nucleares existentes nas terras baixas dos maias, como integraram habilmente alguns dos seus elementos essenciais; como o mito da criação, pondo-os ao serviço dos seus novos objectivos políticos. A fase de transição desde o período Clássico ao Pós-Clássico está marcada em muitas comunidades mesoamericanas por uma acentuada abertura das suas relações para o exterior. As amplas redes comerciais entre as populações das terras altas e as baixas aceleraram as relações e os inter-câmbios de mercadorias e de ideias, fomentando a expansão que os teóricos da cultura denominam por “estilo internacional”.

Como já referimos anteriormente, os itzá de Chichén mantiveram relações amistosas com as cidades de Uxmal e Mayapán, ou seja, com os xiues e cocomes, graças a uma aliança concertada pelas três cidades – a Liga de Mayapán – a qual durou até 1185 – 1204 da era cristã. Esta liga rompeu-se porque um senhor dos cocomes de Mayapán, chamado Hunac Ceel, aumentou o seu poder conquistando Chichén Itzá, conseguindo com isso a hegemonia de Mayapán que se apropriou do império económico criado por Chichén Itzá. As fontes históricas alimentam a suspeita que Mayapán chegou a converter-se no centro do poder graças a uma sequência de intrigas políticas, traições e alianças de grupos políticos contra Chichén Itzá. Os relatos bélicos aludem ao apoio militar que este “golpe” obteve por parte dos aliados maias da cidade portuária de Xicalango, na costa mexicana do golfo.

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Os pórticos de colunas são um elemento típico da arquitectura senhorial de Mayapán, assim como de outros lugares do Yucatão. Könemann, 2006.

Os edifícios de Mayapán não são tão grandes nem estão tão bem conservados como os de Chichén Itzá. Este facto induz, numa primeira observação, a falar de uma sociedade maia do período Pós-Clássico Final como “decadente”, se não já degenerada. Porém, as investigações posteriores sobre este período trouxeram à luz uma sociedade extremamente “eficiente” nos aspectos políticos e económico. Neste sentido, a parcial redução da monumentalidade e da faustosidade arquitectónica considera-se agora como a expressão de uma reorientação da organização política e económica. Segundo esta interpretação, as energias sociais inverteram-se para a produção e o inter-cambio de mercadorias, com os sistemas de mercados bem desenvolvidos a promoverem uma mais justa participação de todos os membros da sociedade na prosperidade económica; com a possibilidade de obtenção de benefícios pelas prestações laborais. Este sistema económico aberto recompensa o espírito empresarial empreendedor e reduzia, finalmente, as desigualdades sociais entre a casta dominante e o resto da população, porque agora era maior o número de pessoas que podiam beneficiar da bonança económica geral. Neste clima social, uma arquitectura menos dispendiosa – que, além do mais, apenas afectava os edifícios públicos e as residências da classe superior – não deve ser julgada como um “retrocesso” em relação ao precedente período Clássico mas como um reflexo de novas pautas sociais e de novas prioridades económicas.

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Casa moderna do Yucatão. A planta em forma de abside e o tipo de construção são similares às casas das povoações antigas dos maias.

A técnica com que se construíram as casas e os edifícios públicos de Mayapán, Cozumel e outros centros do período Pós-Clássico Final dão provas de uma notável eficácia. Quando as paredes destas construções eram de madeira, cobriam-se com gesso e estuque, sendo as coberturas realizadas com materiais vegetais. Com frequência, as paredes interiores dos edifícios públicos desta época estavam ricamente ornamentadas, assim como os muros exteriores de estuque. Exemplos disso são as povoações de Tulum e Santa Rita, ainda que só tenham chegado até nós restos fragmentários. Mayapán era uma cidade fortificada de mais de 3 km de longitude por quase 2 de largura. Os governadores dos estados que estavam incluídos na esfera de poder de Mayapán devem ter vivido dentro dos seus muros. As casas da cidade que se identificam arqueologicamente mostram zonas densamente povoadas, tanto dentro como fora das muralhas. As amplas divisões das habitações indicam que se havia assente aqui, de forma permanente, tanto a classe dominante como uma população provavelmente dedicada aos labores agrícolas. A arquitectura monumental de Mayapán concentra-se numa área de 2,5 hectares, em que domina ao centro, uma pirâmide quadrangular, chamada como em Chichén Itzá, El Castillo; situada imediatamente a Oeste de um cenote. A praça está rodeada de pórticos com colunas, habitações da aristocracia; templos, sepulcros, oratórios e edifícios circulares. Nesta zona onde se descobriu a maioria das criações escultóricas do assentamento, entre as quais existem figuras humanas, jaguares, serpentes, estandartes com inscrições e estelas. Para além desta praça central estendem-se em todas as direcções, até aos muros da cidade, muito juntas entre si, casas e pátios da nobreza e do povo comum. As pequenas esculturas, como tartarugas e as figuras de deuses que se assomam desde o céu, encontrados nestes bairros residenciais, indicam que também fora do centro cerimonial se levavam a cabo acções rituais.

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Reconstituição de pintura mural do edifício 16, em Tulum. Esta pintura une elementos de Oaxaca com outros que recordam os códices maias do Período Pós-Clássico. Quintana Roo, México. Könemann, 2006.

As expedições arqueológicas e os percursos pela superfície da costa oriental da península do Yucatão, permitiram descobrir uma zona densamente povoada no período Pós-Clássico Final. Os centros políticos situavam-se nos lugares chave desta extensa zona costeira. Entre eles encontravam-se El Meco, as localidades de San Gervasio e Buena Vista na ilha de Cozumel; Tulum, Ichpaatún, Santa Rita e alguns mais. Cada uma destas comunidades criou as suas próprias combinações de templos, habitações e sepulcros. Da mesma forma que Mayapán, também Tulum e Ichpaatún estavam fortificados. Tulum e Santa Rita são conhecidas, além do mais, pelo bom estado de conservação das pinturas murais do Pós-Clássico Tardio. Todos estes lugares costeiros foram provavelmente importantes praças comerciais. Nelas inter-cambiava-se as manufacturas regionais pelas matérias-primas das províncias das terras baixas e mercadorias do comércio a grande distância. Ambas categorias de bens foram comercializadas com a ajuda de mercadores que se deslocavam por via marítima, ao longo da costa.

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Embarcação maia. Fonte: Internet.

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Duas grandes colecções etnográficas provenientes dos índios wauja da Amazónia foram incorporadas em museus nacionais europeus em Lisboa e Paris em 2000 e 2005, respectivamente no Museu Nacional de Etnologia e no Musée du quai Branly. Ambas as colecções possuem objetos raros, inexistentes noutras coleções públicas, e cujo estudo se expandiu apenas muito recentemente. Essa conferência reflecte sobre as diferenças entre esses dois projetos de aquisição, as trajetórias curatoriais das artes indígenas da Amazónia e os desafios atuais para a sua aquisição e conhecimento.

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Aristóteles Barcelos Neto é professor e coordenador de pós-graduação na Sainsbury Research Unit for the Arts of Africa, Oceania and the Americas (University of East Anglia, Reino Unido), membro do Grupo de Antropologia Visual e do Centro de Estudos Mesoamericanos e Andinos, ambos da Universidade de São Paulo. Realizou pós-doutoramento no Laboratoire d’Anthropologie Sociale (Collège de France, Paris) e no Departamento de Antropologia da USP. Recebeu o Prémio CNPq-ANPOCS de Melhor Tese de Doutorado em Ciências Sociais.

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Museu Nacional de Etnologia
Avenida Ilha da Madeira, 1400-203 Lisboa
Tel. 21 304 11 60/9 | Fax 21 010 92 06

geral@mnetnologia.dgpc.pt

3ª das 14:00 às 18:00
4ª a Dom. das 10:00 às 18:00

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Mapa de H. A. Shelley. The State University of New Jersey, 1982.

O conceito de “Pós-Clássico” implica a ideia de que nesta época a cultura maia era apenas uma pálida imagem do seu passado grandioso. As recentes investigações arqueológicas põem em causa este conceito da sociedade maia Pós-Clássica. É certo que o inicio desta época se caracteriza por profundas convulsões e alterações sociais, porém a ordem destas convulsões na sociedade apresentam divergências notáveis nas várias regiões das terras baixas. Se considerar-mos as terras baixas maias meridionais e setentrionais como um todo, existem documentos para o Pós-Clássico que revelam seis séculos de evolução ininterrupta, desde o ano de 900 até 1500 d.C.; desenhando-se um quadro de crescimento económico a longo prazo, aumento da população nas regiões costeiras e uma lenta integração Norte-Sul. À chegada dos invasores espanhóis existia uma sociedade estável, altamente desenvolvida, próspera e culta, que mantinha uma rede internacional muito extensa, de múltiplas e variadas relações comerciais

O Yucatão setentrional esteve dominado durante todo o período Pós-Clássico por poderosos centros políticos. O colapso das formações estatais da época Clássica nas terras baixas, cujo rasto se pode seguir aproximadamente a partir de 750 d.C., coincidiu com o fortalecimento do poder da cidade de Chichén Itzá, que foi durante certo tempo o centro mais importante do Norte do Yucatão. Esta grande metrópole impôs o seu domínio sobre amplas zonas das terras baixas setentrionais e forjou um dos estados mais pujantes e extensos da história dos maias. A cidade de Chichén Itzá foi substituída por Mayapán, um centro rival do Norte, que se apoderou de uma grande parte do império económico de Chichén Itzá e marcou o destino político e económico de muitos pequenos estados das terras baixas até pouco antes da chegada dos espanhóis, no ano de 1517 d.C.

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Vista da pirâmide de «El Castillo» a partir do Templo dos Guerreiros. Könemann, 2006.

A maioria dos especialistas partem hoje em dia da hipótese de que Chichén Itzá foi fundada no período Clássico Final – século XI – e impôs o seu domínio como potência hegemónica sobre a região setentrional até muito dentro da primeira fase Pós-Clássica, entre 1000 e 1200 d.C. Pouco depois do ano 1200 foi substituída pela cidade de Mayapán, que controlou a maior parte do Norte do Yucatão, quase durante a totalidade do período Pós-Clássico posterior, entre 1200 e 1500 d.C. Segundo documentos da época colonial, Mayapán foi destruída no ano de 1441 d.C. A importância deste centro depois desta última fase é objecto de investigações, ainda em curso.

A identidade étnica da classe dominante de então é objecto, hoje em dia de vivas discussões, porque as informações históricas aludem, repetidas vezes, à supremacia de senhores “estrangeiros”. Os paralelos entre a arquitectura de Chichén Itzá e da cidade de Tula, sua contemporânea do México central, induzem alguns estudiosos a supor que deve-se ter produzido uma invasão guerreira por parte dos toltecas sobre os itzá. Porém, em todas as partes do mundo encontram-se histórias de novas linhagens dominantes que tendem a legitimar a sua ascensão ao poder aludindo à sua origem exótica ou estrangeira, sem que se possa demonstrar essa procedência pretendida. Deve, por conseguinte, submeter-se à comprovação se estas reclamações se baseiam em invasões ou conquistas efectivas ou se trata simplesmente de colocar em relevo alianças matrimoniais ou de outro tipo com uma potência estrangeira, através das quais uma elite local tenta destacar-se por sobre os seus competidores locais.

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Edifícios de estilo Puuc em Chichén Itzá. Revista de Arqueologia Mexicana.

Acerca desta cidade, o célebre explorador inglês Stephens diz-nos que o nome Chichén é composto de duas palavras da língua maia: Chi que significa boca e chen, poço; de maneira que as duas palavras traduzem-se como “na boca do poço”. Quanto à sua segunda denominação, a da etnia itzá, vemos que Itz significa bruxo e á àgua; de modo que Chichén Itzá significa “na boca do poço do bruxo da água”. Os itzaes foram um povo que chegaram relativamente tarde ao Yucatão, quando já existiam numerosos sítios ocupados pelos maias, como a cidade de Chichén, que nessa altura talvez se chamava Uuc-yab-nal, ou seja: os Sete Abnal. A arquitectura singular e eclética de Chichén Itzá proporciona argumentos para defender as hipóteses de hegemonias que referimos anteriormente. Na zona Sul da necrópole encontram-se exemplos da arquitectura Puuc convencional, do mesmo modo que em outras zonas do Yucatão setentrional, como já vimos em relação a Uxmal e outras cidades. No caso de Chichén Itzá, este estilo pode ser observado no caso dos belíssimos edifícios da “Igreja” ou da “Casa das Monjas”. Num estilo mais híbrido e apresentando uma elegante forma circular, pode-se observar, perto dos edifícios mencionados anteriormente, o destacado observatório astronómico que tem como nome “El Caracol”.

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Zona arqueológica de Chichén Itzá. Fonte: Internet.

No entanto, no sector Norte da cidade predomina um estilo arquitectónico que tem sido denominado de maia/tolteca mas que pode bem ser considerado de “estilo internacional”, como os “atlantes” do Templo dos Jaguares, os chamados “altares chacmol” que tivemos oportunidade de observar em Tula, que na cidade maia se encontram no Templo dos Guerreiros, cuja zona frontal e lateral é ocupada por uma imensidão de filas de colunas que teriam suportado uma vasta cobertura. A pirâmide quadrada principal, conhecida como “El Castillo” e considerada, desde 2007, como uma das 7 maravilhas do mundo antigo, encontra-se destacada ao centro de uma grande praça, nesta zona Norte da cidade. A noroeste deste edifício dedicado a Kulkucan, o equivalente maia do deus Quetzalcoatl, encontra-se o maior campo de jogo de bola de toda a Mesoamérica, cuja base das paredes laterais apresenta a representação da cerimónia sagrada deste jogo, em que se enfrentam duas equipas com os seus sete jogadores cada uma, incluindo um capitão. No centro da cena apresenta-se uma grande bola de pedra com uma caveira falante dentro. Ao lado desta cena central observa-se uma cena de sacrifício por decapitação, muito semelhante à que vimos na sessão dedicada à cidade de El Tajin.

Não podemos deixar de referir o impressionante cenote sagrado, que se encontra mais a Norte da pirâmide de Kulkucan e que foi objecto de muitos rituais onde múltiplas oferendas foram lançadas, mesmo quando a cidade já não era habitada.

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Reconstituição de parte de um baixo relevo no Templo dos Jaguares de Chichén Itzá com a representação de guerreiros. Revista Arqueologia Mexicana, Março-Abril 2007.

A maioria dos investigadores afirma que Chichén Itzá manteve o seu firme domínio até ao período Clássico Final. Todos os dados disponíveis corroboram que se produziu um ataque militar a cargo de um grupo que procedia do Yucatão setentrional, suplantando e absorvendo a classe dominante local. Esta erupção estrangeira teve lugar nos primeiros anos do século XI e marcou o início do período Pós-Clássico. Ao que parece, os grandes centros de poder que até então haviam dominado no Norte, como Ek Balam e Yaxuná, forma submetidos nesta época mediante a intervenção armada deste novo e poderoso estado em expansão. A destruição dos edifícios e das instalações defensivas destes lugares, ocorreu paralelamente à conquista militar levada a cabo pelos invasores procedentes do estado Itzá.

As opiniões dividem-se sobre a região de origem da nova classe dominante dos itzá. As diferentes hipóteses assinalam desde as terras altas mexicanas – toltecas de Tula – passando pelos maias putun “mexicanizados” das costas do Golfo do México, até aos grupos de população dos estados das terras baixas meridionais em decomposição; que se destroçavam mutuamente numa série de conflitos bélicos.

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Destinatários: Estudantes, professores e outros profissionais que pretendam ampliar o leque de conhecimentos e da sua cultura visual sobre as sociedades que se desenvolveram na América do Sul no período pré-colombiano.

Candidaturas: de 22 de fevereiro a 22 de março de 2016

Duração: 9 de abril a 25 de junho de 2016. O curso será realizado aos sábados, entre as 10h00 e as 13h00, num total de 36 horas distribuídas ao longo de 12 aulas.

Local: Museu Nacional de Etnologia (Lisboa)

Preço: € 240,00

Avaliação: Tratando-se de um curso livre, que não proporciona qualquer crédito escolar, a sua frequência será atestada através de certificado de participação emitido pelo coordenador/formador. Informações | Inscrições: e-mail.

Objectivos e Metodologia: Tendo como objetivo geral conhecer a história e culturas visuais das sociedades indígenas da América do Sul no período précolombiano, após contextualização prévia sobre as grandes áreas culturais da América do Norte e Central, o Curso incidirá principalmente sobre as seguintes áreas culturais da América do Sul: os Andes, Setentrionais e Centrais, as Terras Baixas Tropicais e a Planície Platina, em que se incluem a região do Grande Chaco, as Pampas e os Andes Meridionais. A par do estudo das estruturas sociais, serão abordadas as concepções que fundamentam as diversas expressões estéticas da arte ameríndia que, independentemente da maior ou menor complexidade do tipo de sociedade que as originou, evidencia uma relação íntima com o respectivo contexto ecológico. Acompanhando permanentemente a exposição e enquadramento teóricos, será apresentada uma selecção de imagens ilustrativas da ampla diversidade das expressões estéticas que caracterizaram as culturas sul americanas ao longo dos 25.000 anos da sua história previamente ao seu contato com as sociedades europeias.

CULTURA DE PARACAS

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Localização da zona cultural de Paracas. Fonte: Go2Peru.

Situada na costa Sul, a 18 km de Pisco, sobre uma península arenosa, árida e totalmente desértica, encontraram-se tumbas de uma cultura conhecida como Paracas. Esta palavra pode ser traduzida como “gente de frente grande” ou também por “chuva de areia”. Ambas acepções parecem ser aceitáveis já que os crânios apresentam uma forma aplanada praticada por deformação artificial e os ventos da região cobrem e descobrem com areia as referidas tumbas.

Da origem deste povo, da sua estrutura social e do seu culto, quase nada se sabe. Aparentemente construíram grandes estruturas cerimoniais até ao final do seu período. Em Ica e Cinicha levantaram templos de adobe sobre montículos. Dedicaram grande atenção às práticas mortuárias, observáveis pelos motivos iconográficos que ornamentam cerâmicas e têxteis. Paracas aparece como uma cultura local com influência de Chavín de Huantar.

ca. 1957-1965 --- A lithograph depicting trepanation performed by a first century Peruvian physician, from a portfolio by Robert Thom illustrating the history of medicine. --- Image by © Blue Lantern Studio/Corbis

Ilustração de uma cirurgia de trepanação realizada em Paracas. Imagem de portfolio da autoria de Robert Thom ilustrando a história da medicina. © Blue Lantern Studio/Corbis

No que diz respeito à sua periodização foi classificada em duas fases principais: Paracas Cavernas e Paracas Necrópole, considerando válida a hipótese de J. C. Tello que consigna a Cavernas maior antiguidade e a Necrópoles como a mais recente. Na fase Cavernas, cujo antecedente seria Ocucaje, os enterros foram múltiplos. Os mesmos constam de câmaras sepulcrais redondas, situadas a 3 m de profundidade com 2 m de altura e 4 m de diâmetro. A estas acede-se por um tubo cavado na areia, revestido com pedras de 1,5 m de diâmetro. As câmaras ou Cavernas alojaram, de maneira empilhada, até várias dezenas de fardos funerários. Estes contêm os corpos de defuntos de ambos os sexos e idades em posição fetal, mumificados naturalmente. Alguns dos corpos estão vestidos com turbantes de algodão; outros apenas estão cobertos por um lençol. Um elemento característico das múmias é a grande quantidade de trepanações cranianas com alto índice de sobre vida. O seu enxoval funerário consta de uma quantidade relevante de cerâmica ornamentada e têxteis.

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Tumba de tipo Necrópole apresentando uma planificação arquitectónica e boa construção lítica. Edições Corregidor. Buenos Aires, 2005.

Desta fase existe um santuário de adobe de forma piramidal de 18 por 20 m que ostenta dois grandes murais com imagens de seres mitológicos com características felinas.

A fase Necrópole recebe esta denominação devido a que as primeiras descobertas foram imensos cemitérios, colocados sobre lixeiras e antigos povoados abandonados. Alguns têm tais dimensões que se assemelham a verdadeiras cidades de defuntos; as suas construções constam de uma fileira de quartos ao longo da praia ou por detrás de corredores e pátios. Por último, paralelos aos anteriores, grandes câmaras funerárias, em cujo interior se encontraram fardos funerários. Diferenciando-se da fase anterior os enterros foram individuais, todos adultos do sexo masculino. Tendo em conta a riqueza do enxoval que acompanhava os defuntos, pressupõe-se que o sítio era destinado à classe dirigente. Vários dos fardos continham mais de 150 oferendas de diversa índole das quais, grande quantidade, eram peças de algodão bordadas com lã. Debaixo dos mantos de protecção de cada fardo, aparece o corpo em posição fetal e a cesta onde foram depositados. As múmias mostram turbantes, ceptros como símbolos de cargo social e geralmente estão envoltas com um manto sobre outro em quantidades que variam de dois a onze.

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Dois exemplos de mantas cobrindo fardos mortuários. Thames & Hudson. Londres, 1995.

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Têxtil de estilo Paracas com motivos muito similares aos da cerâmica Nazca. Discovering Art. Inglaterra, 1965.

O motivo religioso principal desta fase é a imagem de uma criatura conhecida como “O Deus Ocultado”, figura frontal de grandes olhos e apêndices ondulantes que terminam em cabeças troféu.

Assim como Cavernas teve influência de Chavín de Huantar, tendo desenhado com essa influência a sua própria forma característica, observa-se na fase seguinte até ao final do período uma transformação para formas que se podem identificar com a cultura Nazca.