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Posts Tagged ‘América Antiga’

Mapa da região Mixteca. Revista Arqueologia Mexicana, Editorial Raízes.

A área do povo mixteca corresponde à metade Oeste do estado de Oaxaca, com algumas comunidades desta etnia estendendo-se para os estados vizinhos de Puebla e Guerrero. Os centros urbanos principais dos mixtecas incluem a antiga capital de Tilantongo, assim como outras cidades como Achiutla, Huajuapan e Mitla, entre outras. O seu território está dividido por três áreas geográficas e culturais: A Mixteca Alta, nas zonas montanhosas que circundam o Oeste do vale de Oaxaca. A Mixteca Baixa, situando-se a Norte e Oeste da zona montanhosa. E finalmente a Mixteca Costeira, situando-se nas planícies do Sul e na costa do Oceano Pacífico. Na maior parte da história Mixteca a zona Alta foi a força politicamente dominante, com a capital, Tilantongo, localizada na zona central montanhosa. O vale de Oaxaca foi, durante o período Pós-Clássico, uma zona fronteiriça disputada entre os mixtecas e os zapotecas.

O termo Mixteca deriva da palavra Nahuatl Mixtecapan, ou “lugar do povo da nuvem”. Os mixtecas chamavam-se a si próprios ñuu savi ou ñuu djau, dependendo da variante local da sua linguagem. Na sua história dos Mixtecas, Kevin Terraciano usa o termo Ñudzahui, que traduz como “o povo do lugar da chuva”.

Maquete de estrutura arquitectónica Mixteca. Museu Nacional de Antropologia, México. Foto Tempoameríndio.

Já desde tempos Pré-Clássicos os antigos povoadores da região mixteca contavam-se entre os iniciadores da arquitectura lítica, como se pode ver nos primeiros edifícios de Montenegro, tendo sido desenvolvidos até ao final do período Clássico os novos centros que iriam afirmar a etnia mixteca que, apesar de conter elementos da arte zapoteca, desenvolveram características muito próprias, nomeadamente nos trabalhos de ourivesaria e na escrita pictográfica. Esta última irá difundir-se por quase toda a Mesoamérica durante o período Pós-Clássico. Alfonso Caso, ao interpretar os códices mixtecas, faz-nos remontar até à fundação da dinastia de Tilantongo por volta de 824 d.C., sendo esta a mais antiga resenha histórica que se conserva de fontes indígenas no México central e que descreve o seu desenvolvimento até depois da invasão espanhola. Intimamente misturados com os sucessos de carácter histórico, como ocorre sempre nas crónicas indígenas, aparecem figuras lendárias como o deus Quetzalcoatl e o mítico herói cultural mixteca Oito-Veado; este último aparecendo também esculpido numa lápide de Monte Albán.

Processo de fabrico de papel a partir da casca de figueira. Dorling Kindersley Ltd, Londres.

Estes códices eram realizados em folhas feitas de pele de veado ou a partir de papel feito de cascas de figueira, sendo que no final as folhas eram polidas com uma pedra e, finalmente, a superfície era coberta com cal branca onde posteriormente eram realizados os glifos desenhados. Estes códices são desdobrados em forma de biombo ou harmónio e a sua leitura é realizada da direita para a esquerda. De uma forma muito sucinta, poderíamos dizer que a linguagem pictográfica desenvolvida nestes livros utiliza uma sobreposição de símbolos fonéticos, topónimos e várias simbologias e numerações, nomeadamente calendarista. O seu dinamismo de leitura reside substancialmente numa relação de mnemónica visual, aliando de forma estreita e concisa o relato escrito e a tradição oral. Os códices mixtecas descrevem a sua história e as genealogias, sendo que o relato mais conhecido é do senhor Oito-Veado, chamado assim a partir do dia em que nasceu. O seu nome pessoal é Garra de Jaguar, cuja história épica é relatada em vários códices, incluindo o codex Bodley e o códice Zouche-Nuttal. Oito-Veado conseguiu com sucesso conquistar e unir a maior parte da região mixteca, tendo como capital a cidade de Tilantongo.

Pormenor do códice Zouche-Nuttall com a representação de Oito-Veado, a figura ao centro. Fonte: Internet.

Durante o período de Monte Albán IV, que abarca entre 1000 e 1300 anos d.C., os mixtecas alargaram o seu domínio em quase toda a região de Oaxaca, conforme se vai debilitando o impulso cultural zapoteca. Pensa-se que será nesta fase que intervêm na execução dos templos de Mitla, onde ainda se conservam restos de pinturas murais cuja proveniência é indiscutivelmente mixteca.

Os mixtecas acabaram por ocupar Monte Albán, esvaziando ocasionalmente algumas tumbas zapotecas, para colocar nelas os seus próprios defuntos. É assim que na tumba 7 de Monte Albán, descoberta em 1933 por Alfonso Caso, se recuperou um fabuloso tesouro constituído por jóias do mais puro fabrico mixteca: colares, anéis, pulseiras, pendentes e demais objectos finamente fundidos em ouro, pelo processo da cera perdida; copos, orelheiras de cristal de rocha, raspadores de osso lavrado, entre outros. Deste modo, uma cidade como Zaachila, que tinha sido a capital política dos zapotecas, ostenta nos seus sepulcros do último período, relevos mixtecas em estuque e oferendas de cerâmica mixteca-puebla. Apesar de na sua arquitectura, os mixtecas nunca terem conseguido superar a grandiosidade de Monte Albán e o refinamento de Mitla, haviam de converter-se nos mais geniais artificies que a Mesoamérica produziu. Foram eles que começaram a usar o branco resplandecente, a prata, o metal da Lua unido com o ouro, conseguindo desta maneira trabalhar melhor, podendo realizar obras mais detalhadas usando delgados e finos fios de ouro, os quais conseguiam na mesma fundição da peça.

Ourivesaria Mixteca. Office du Livre S. A. Suiça 1982.

Apenas aos governantes, sacerdotes e guerreiros era permitido utilizar objectos de ouro, porque este era considerado uma matéria sagrada. Estes objectos eram também comercializados para as elites estrangeiras.

Os ourives eram supervisionados pelos sacerdotes, sobretudo quando deviam representar os deuses: Toho Ita, o senhor das flores e do Verão. Koo Sal, a serpente emplumada. Iha Mahu, o Esfolado, deus da Primavera e dos ourives. Yaa Dzandaya, divindade do mundo inferior. Ñuhu Savi ou Dazahui, deus da chuva e do raio e Yaa Nikandii, o deus solar, implícito no próprio ouro. A todos eles se representava como homens, incluindo o sol, que também era invocado em forma de círculos lisos ou com raios solares repuxados. As divindades tinham também manifestações zoomorfas, como jaguares, águias, faisões, borboletas, cães, coiotes, tartarugas, rãs, serpentes, mochos e morcegos.

Conjuntamente com os popolocas de Puebla e outros povos, os mixtecas integraram no final do período Pós-Clássico, entre 1300 e 1521 d.C., um pujante complexo cultural conhecido pelo nome de mixteca-puebla. Este complexo, que cobre a zona de Oaxaca e os vales de Puebla e Tlaxcala, com ramificações em Veracruz, Morelos, Guerrero e no vale do México, estende a sua influência artística em todos os âmbitos da Mesoamérica, desde Sinaloa e Huaxteca a Norte, até ao Yucatão e Nicarágua no Sul; como podemos ver nas pinturas murais de Santa Rita no Belize e nas de Tulum, que têm o inconfundível selo do estilo gráfico dos códices mixtecas. Caberia aqui referir, em relação à arte pictórica destes manuscritos, mixtecas ou de outras culturas, como o códice Fejérvary-Mayer ou o Nuttal, que são de um grafismo conciso e extremamente expressivo, juntando um toque de precisão e preciosismo à linguagem simbólico-poetica que vimos nas pinturas murais da cidade Clássica de Teotihuacan. O códice Bórgia, obra de um tlacuilo ou escriba-pintor genial, mostra um sentido surpreendente na composição e na cor.

Prato decorado em estilo mixteca-puebla. Conaculta/Inah e Grupo Azabache, México.

Aparte dos grandes centros oleiros de Oaxaca, aquele com maior fama na época mexica foi sem dúvida Cholula, o grande santuário do vale de Puebla. A cerâmica cholulteca era tão apreciada nesse período, que constituía uma moeda particularmente estável dentro do sistema de comércio indígena – a par com os chalchihuites ou pequenas contas de jade, as penas preciosas ou das medidas de ouro em pó e o cacao – sendo que o próprio soberano Motehcuzoma apenas utilizava para o serviço da sua mesa dois desenhos especiais de “… barro de Cholula, um vermelho e outro negro”, segundo nos conta Bernal Diaz del Castillo, o soldado espanhol que integrou a invasão, adiantando que o imperador mexica não se servia duas vezes da mesma peça. O estilo pictórico desta cerâmica está ligado directamente aos desenhos dos códices. De uma execução perfeita, decorada com o gosto subtil mas vincado que se encontra nos códices, donde provem a denominação de cerâmica tipo códice. Atribuído a certos utensílios, esta cerâmica policroma finamente polida, com cores que ainda conservam a sua intensidade e brilho, caracteriza-se por incensários, com pega e suportes, elegantes cântaros, vasilhas tripoides com suportes zoomorfos, grandes pratos, copos com suporte anular e recipientes bi-cónicos de onde emergem caveiras ou cabeças de jaguares, águias e macacos.

Deste modo podemos apreciar como, se bem que a obra civilizadora tolteca tenha coberto todo o período Pós-Clássico, será mais ainda a arte mixteca-puebla aquela que haveria de exercer, até à chegada dos espanhóis, uma influência artística profunda em quase todas as regiões da vasta Mesoamérica. De facto, com esta arte começava a diluir-se as fronteiras estilísticas que delimitavam até então muitas zonas e, caberia mencionar, durante o chamado período histórico do Pós-Clássico, de uma preponderância da mistura de influências culturais tolteca-mixteca.

 

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Arte pré-colombiana. Scala Group. Itália, 2009.

A datação do desenho e da construção original, assim como a identidade dos construtores da efígie da serpente, são três questões ainda debatidas nas disciplinas da ciência social, incluindo a etnologia, a arqueologia e a antropologia. Adicionalmente, os índigenas americanos actuais têm um interesse particular por este sítio. Várias atribuições têm sido feitas, com preocupações académicas, filosóficas e questões de identidade dos Nativos Americanos, sobre os factores desconhecidos de quando foi desenhado, construído e por quem.

Este montículo encontra-se localizado num planalto da cratera do Montículo da Serpente, ao longo do rio Ohio Brush, no condado de Adams, no Ohio. Ao longo dos anos os estudiosos propuseram que a estrutura fôra construída pela cultura adena, a cultura hopewell ou a cultura de fort ancient. A datação de Rádio carbono, a partir de carvão descoberto dentro do montículo, em 1990, forneceu a indicação que esta foi eregida por volta de 1070 d.C. Dada esta ultima evidência, um pequeno grupo de investigadores atribui o montículo original à cultura de fort ancient. Algumas outras evidências contradizem esta ideia. Por exemplo, em 1880, investigadores da Universidade de Harvard desenterraram sepulturas na vizinhança que são datadas da cultura adena. Além de que o montículo não contem artefactos característicos da cultura de fort ancient.

Levantamento em desenho do Montículo da Serpente. Fonte: Internet.

Quanto ao seu propósito, o Montículo da Serpente é a mais comprida efígie do mundo, com 400 m de comprimento. Enquanto existem vários montículos sepulcrais ao redor dela, esta não contem nenhuns restos humanos. Portanto não foi construída com propósitos funerários.

Os cherokee relacionam a esta estrutura a lenda da Uktena, uma grande serpente com poderes e uma aparência sobrenatural. A existência desta lenda atesta a importância da figura esculpida. Vários investigadores têm especulado que, talvez, as antigas populações nativas tenham criado grandes santuários totémicos que foram construídos em plataformas feitas de terra e pedra. Tais efígies poderiam ter sido destruídas por guerras ou alterações entre culturas hereditárias, resultando que só a plataforma tenha sobrevivido.

Em 1987, Clark e Marjorie Hardman publicaram a sua descoberta, de que a área de cabeça oval da serpente estava alinhada com o por do sol no solstício de verão. Outros estudos apresentam alinhamentos lunares, dois solstícios e dois eventos dos equinócios, cada ano. Se o Montículo da Serpente foi desenhado para assinalar a ordem solar e lunar, seria importante como a consolidação do conhecimento astronómico, num único símbolo. Se a data de 1070 d.C. é correcta esta poderia, teoricamente, ter sido influenciada por dois eventos astronómicos: a luz da super nova que criou a Nébula do Caranguejo em 1054 e a aparência do Cometa Haley em 1066. O Montículo da Serpente também pode ter sido desenhado de acordo com o padrão das estrelas que compõem a constelação de Draco. Este padrão encaixa com bastante precisão na estrutura, com a antiga Estrela Polar, Draconis-alpha, como o seu centro geográfico dentro do primeiro, dos sete rolos da cabeça. O Montículo está localizado num planalto com uma estrutura única de criptoexplosão, contendo falhas rochosas dobradas, usualmente produzidas tanto por meteoritos como por explosões vulcânicas.

 

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O sudoeste dos Estados Unidos da América – Irradiação das culturas Mogollón, Anasazi e Hohokam.

Oásis América – Mapa Tempo Ameríndio.

Alguns arqueólogos sustêm que mogollón começa em 1.000 a.C., sobre a base cultural da Tradição do Deserto, originada pelos cochise que em 2.000 a.C. já cultivavam um tipo de milho primitivo. O certo é que a transição de uma sociedade arcaica para uma sociedade de agricultores sedentários, com cerâmica introduzida desde o sul, se completou ao redor de 300 d.C. A sua principal fonte alimentícia proveio da domesticação e cultivo de espécies como a yuca – ou mandioca, uma espécie de tubérculo – cactos, milho, girassol, ervas e nozes.

Observam-se quatro fases distintas, na evolução da cultura mogollón que a distingue da sua similar, a anasazi. Num primeiro momento, os seus assentamentos caracterizam-se por um grande número de casas-poço de dimensões pequenas. A partir de 1.000 d.C., começaram a construi-las sobre o nível do solo e, por influência anasazi, apareceram os complexos cerimoniais e, em alguns casos, residências de varões, conhecidas como “kivas“, estas últimas sobreviventes das casas-poço.

As várias culturas do Sudoeste. Mapa Tempo Ameríndio.

Criaram todo o tipo de ornamentos: braceletes de concha, pendentes de madeira, adornos tubulares de osso e ferramentas, como metates – ou pedras para moer grãos e sementes – almofarizes, armadilhas, arcos e flechas. Também fabricaram têxteis, cestos, elementos de madeira e cerâmica como espátulas, tabuinhas, flautas e colares de sementes. No vale do rio Mimbres, desenvolveu-se uma sub-tradição com a manufactura de excelente cerâmica. Nos povoados de Casas Grandes e Chihuahua, deram-se amplos assentamentos ao que se supõe terem chegado mercadores do planalto mexicano. Por volta de 1.100 d.C. começa a sua decadência, talvez pelas mesmas causas que se fizeram sentir em todo o sudoeste, entrando em colapso definitivamente em 1350 d.C.

Vasilha com insectos, cerâmica pintada. Cultura mogollon, Novo México. Arte pré-colombiana. Scala Group. Milão, 2009.

Os anasazi – A partir de 185 a.C., sobre a base cultural dos cesteros – povos da Tradição do Deserto, sem agricultura nem cerâmica – evoluíram os anasazi. O seu epicentro foi a região conhecida como “Os Quatro Cantos”, formada pelo Arizona, Utah, Colorado e o Novo México. No seu desenvolvimento estabeleceram-se oito fases ou períodos, dos quais os três primeiros pertencem à evolução dos cesteros – até 750 d.C. – e os seguintes às culturas conhecidas como pueblo.

As primeiras habitações que levantaram foram do tipo casa-poço, superficiais e de simples estrutura. A seguir construíram-nas fazendo a base mais profunda e com uma abertura no tecto que fazia as vezes da chaminé e entrada, simultaneamente. Dentro das habitações cavaram um buraco central, o sipapu, que simbolizava o lugar por onde a humanidade havia emergido desde o interior do mundo. Com o decorrer do tempo, esta modalidade deu origem às kivas cerimoniais. Posteriormente, deu-se a sua expansão e, durante essa época, já construíram os edifícios com pedras, sobre o nível do solo. Por volta de 700 d.C., em Mesa Verde e Cliff Palace, construíram habitações dentro de reentrâncias rochosas naturais, no rebordo de precipícios.

Uma kiva (câmara ritual) construida pelos anasazi no pueblo de Mesa Verde,  Colorado. Duncan Baird Publishers, 1996.

A sua expansão, que alcançou uma dimensão máxima em 1.100 d.C. mostra que os anasazi possuíam um grande conhecimento sobre os períodos solares de solstícios e equinócios, urbanização de grandes povoações feitas em alvenaria de pedra com vários pisos; canais para rega e manufactura de vasos cerâmicos. Um dos mais importantes urbanismos desde período é Pueblo Bonito que contou um número próximo às 800 habitações e 25 kivas, as construções circulares para o culto. Esta estrutura apresenta um urbanismo racional de desenho intimista, projectado com as suas habitações de tipo original. Crê-se que foi habitado como cidade e centro de culto para umas 1.200 pessoas. Como já referimos, as habitações redondas são kivas, lugares religiosos para reuniões e cultos iniciáticos por parte dos homens. Também se supõe que a kiva principal terá sido observatório astronómico. Pueblo Bonito e Chetro Ketl são dois dos lugares mais relevantes dos 125 assentamentos distribuídos ao longo da bacia do rio Saint John, no Canyon Chaco e que formaram parte de um verdadeiro sistema económico, entre 950 a 1200 d.C. Estas localidades foram providas de residências, armazéns, recintos cerimoniais, edifícios públicos e estavam ligados por mais de 400 km de uma rede de caminhos. Ainda não foi devidamente esclarecido se Canyon Chaco foi um centro de culto e comércio, com cidades independentes anexadas ao sistema, ou se as mesmas foram colónias estabelecidas, para dar saída ao aumento demográfico que sofreram.

Planta e perspectiva de Pueblo Bonito. Cultura anasazi, cerca de 1100 d.C. Edições Corregidor, 2005.

Por volta de 1200 d.C. produziu-se uma alteração climática; por toda a região registou-se uma quebra nas escassas precipitações. Este fenómeno que criou uma ruptura no ecossistema frágil já por si, somando-se a incursão de tribos de origem dene: os navajos e apaches, são as causas possíveis que levaram ao abandono dos povoados na bacia do rio Saint John. Não se conhece de certeza o destino dos anasazi, porém, anos mais tarde, nas regiões dos rios Little Colorado e Rio Grande, deu-se uma nova etapa de construção de grandes povoações, por vezes combinadas com saliências rochosas, como na meseta de Pajaritos, no Novo México, que perduraram até à chegada dos espanhóis.

Ilustração de uma estrutura arquitectónica hohokam. Fonte: Internet.

Entretanto, nas terras desérticas dos vales do rio Gila, no Arizona, dentro de uma área restrita e próxima às outras duas tradições que já falamos, evoluiu a cultura hohokam, sobre a base da arcaica cultura cochise. Não se tem a certeza sobre o seu inicio e, ainda que alguns arqueólogos sustentem uma maior antiguidade; estima-se que os seus começos tenham coincidido com o principio da era cristã. Glawdin e Harry, em 1937, subdividem a sua duração em quatro períodos, dos quais aquele de maior desenvolvimento é o último, conhecido como Clássico. Os estudos actuais indicam que esta cultura foi regional, desenvolvendo-se no seu lugar com base a vinculações comerciais e rituais com as culturas mexicanas. Implementaram uma agricultura do deserto que lhes proporcionou duas colheitas anuais, para a qual construíram canais de rega que transportava a água desde as montanhas. Possivelmente, devido às relações frequentes que tiveram com as culturas meridionais, praticaram a astronomia, fabricaram cerâmica e braceletes de concha; trabalharam a pedra, as turquesas e o cobre.

A partir de 600 d.C. construíram praças com plataformas de 1 m de altura por 30 m de largura que, apesar de serem baixas, mostram influência mexicana. As suas habitações foram do tipo casa-poço, com recintos rectangulares, construídas com adobes sobre escavações no solo, alcançando em Casas Grandes os quatro pisos de altura.

A diminuição das colheitas e as frequentes incursões das tribos apaches, provocaram um colapso por volta de 1450 d.C. Os povoadores abandonaram os seus antigos locais e agruparam-se em pequenas povoações dispersas.

Fotografia do pueblo de Taos, Novo México. Editora Dargaud, 1969.

Apesar desta entrada ter um enfoque sobre as culturas Pré-Colombianas, ou seja, aquelas que se desenvolveram antes ou até ao contacto com os europeus, vale a pena aqui falarmos um pouco sobre as tribos históricas, desta área de estudo. Assim, quando os primeiros europeus pisaram estes territórios, por volta de 1540 da nossa era, encontraram cerca de 20.000 habitantes, disseminados por 70 povoações. A estes aborígenes denominaram, de forma genérica, como índios pueblo, devido às características das suas povoações. A sua fonte alimentícia principal era um tipo de milho adaptado à semi aridez do território, que complementavam com a caça. Mantinham uma organização social de clãs matriciais e ao povo como unidade política superior. Em chefia, um «governador» para as funções administrativas; um “chefe de guerra” encarregado dos trabalhos públicos e conflitos bélicos e, além destes, um séquito de sacerdotes cuja missão era a de propiciar as chuvas.

Dos grupos pueblo actuais, os tano e keres descendem dos anasazi. Os hopis de um ramo shoshoni; os zuñis supõe-se derivados da tradição mogollón, presumindo-se que quem actualmente habita a região de Sonora – onde se encontram as tribos pima, papago e tarahumara– são os herdeiros da tradição hohokam.

 

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Fonte: Internet.

Fonte: Internet.

Esta reportagem data de 25 de Julho de 2015, tendo sido difundida por Michael Ruggeri (Famsi) agradecendo a Charles Mann pela indicação do relatório completo.

Uma equipe internacional de investigadores tem estudado habitações encontradas na Amazónia, tendo chegado à conclusão que esta região foi densamente habitada por uma população que se estima ter tido entre os oito a quinze milhões de pessoas no ano de 1492. Descobriram também que 83 espécies nativas foram cultivadas nessa região. Rastos evidentes de múltiplas cidades de dimensões consideráveis foram também descobertas. A equipe de investigadores encontrou sistemas extensivos de gestão de terras, cidades que teriam congregado populações de 10.000 habitantes, com milhares de metros de terrenos agrícolas em seu redor. Grandes estruturas trabalhadas em terra foram encontradas conjuntamente com cemitérios, canais e calçadas. A actividade que levou a este sistema terá sido iniciada por volta de 3.000 anos antes de Cristo. Por toda esta região encontrou-se evidencia de uma mistura de solo criada por seres humanos, que se designa por “terra preta”, permitindo uma fértil colheita agrícola. Estas populações teriam cultivado milho, limão, nozes do Brasil, árvores de fruto e palmeiras. Centenas de sítios arqueológicos, neste contexto, já foram encontrados.

Reportagem no Daily Mail: http://dailym.ai/1DFrm00

Relatório da investigação publicada na Royal Society, Inglaterra:

http://rspb.royalsocietypublishing.org/content/282/1812/20150813

Groundbreaking report on Ancient Amazon Civilizations that reached millions in population

An international team of researchers have been investigating ancient human habitation in the Amazon. They have found that the Amazon was once inhabitated by millions of people. Eight million to fifty million may have lived there by 1492. They found that 83 native species were cultivated there. Evidence of sprawling towns that streetched for miles have been uncovered. The researchers have found extensive land management systems, towns that housed 10,000 people each, with miles of extensive agriculture around them. Giant earthworks have been uncovered, along with graveyards, canals and causeways. The activity was widespread by 3000 BCE. All throught these regions, evidence of a man made soil mix called terra preta allowed for fertile crop production. They cultivated maize, squash, Brazil nuts, palm trees and fruit. Hundreds of archaeological sites have already been found.

The Daily Mail has an extensive report here with their usual excellent series of photos and videos;
http://dailym.ai/1DFrm00

And the research was published by the Royal Society in the UK, which has the complete research report here;
http://rspb.royalsocietypublishing.org/content/282/1812/20150813

I want to thank Charles Mann who gave me the heads up on this complete report.

(Michael Ruggeri – Famsi)

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01Yucatão

Mapa de H. A. Shelley. The State University of New Jersey, 1982.

O conceito de “Pós-Clássico” implica a ideia de que nesta época a cultura maia era apenas uma pálida imagem do seu passado grandioso. As recentes investigações arqueológicas põem em causa este conceito da sociedade maia Pós-Clássica. É certo que o inicio desta época se caracteriza por profundas convulsões e alterações sociais, porém a ordem destas convulsões na sociedade apresentam divergências notáveis nas várias regiões das terras baixas. Se considerar-mos as terras baixas maias meridionais e setentrionais como um todo, existem documentos para o Pós-Clássico que revelam seis séculos de evolução ininterrupta, desde o ano de 900 até 1500 d.C.; desenhando-se um quadro de crescimento económico a longo prazo, aumento da população nas regiões costeiras e uma lenta integração Norte-Sul. À chegada dos invasores espanhóis existia uma sociedade estável, altamente desenvolvida, próspera e culta, que mantinha uma rede internacional muito extensa, de múltiplas e variadas relações comerciais

O Yucatão setentrional esteve dominado durante todo o período Pós-Clássico por poderosos centros políticos. O colapso das formações estatais da época Clássica nas terras baixas, cujo rasto se pode seguir aproximadamente a partir de 750 d.C., coincidiu com o fortalecimento do poder da cidade de Chichén Itzá, que foi durante certo tempo o centro mais importante do Norte do Yucatão. Esta grande metrópole impôs o seu domínio sobre amplas zonas das terras baixas setentrionais e forjou um dos estados mais pujantes e extensos da história dos maias. A cidade de Chichén Itzá foi substituída por Mayapán, um centro rival do Norte, que se apoderou de uma grande parte do império económico de Chichén Itzá e marcou o destino político e económico de muitos pequenos estados das terras baixas até pouco antes da chegada dos espanhóis, no ano de 1517 d.C.

02Yucatão

Vista da pirâmide de «El Castillo» a partir do Templo dos Guerreiros. Könemann, 2006.

A maioria dos especialistas partem hoje em dia da hipótese de que Chichén Itzá foi fundada no período Clássico Final – século XI – e impôs o seu domínio como potência hegemónica sobre a região setentrional até muito dentro da primeira fase Pós-Clássica, entre 1000 e 1200 d.C. Pouco depois do ano 1200 foi substituída pela cidade de Mayapán, que controlou a maior parte do Norte do Yucatão, quase durante a totalidade do período Pós-Clássico posterior, entre 1200 e 1500 d.C. Segundo documentos da época colonial, Mayapán foi destruída no ano de 1441 d.C. A importância deste centro depois desta última fase é objecto de investigações, ainda em curso.

A identidade étnica da classe dominante de então é objecto, hoje em dia de vivas discussões, porque as informações históricas aludem, repetidas vezes, à supremacia de senhores “estrangeiros”. Os paralelos entre a arquitectura de Chichén Itzá e da cidade de Tula, sua contemporânea do México central, induzem alguns estudiosos a supor que deve-se ter produzido uma invasão guerreira por parte dos toltecas sobre os itzá. Porém, em todas as partes do mundo encontram-se histórias de novas linhagens dominantes que tendem a legitimar a sua ascensão ao poder aludindo à sua origem exótica ou estrangeira, sem que se possa demonstrar essa procedência pretendida. Deve, por conseguinte, submeter-se à comprovação se estas reclamações se baseiam em invasões ou conquistas efectivas ou se trata simplesmente de colocar em relevo alianças matrimoniais ou de outro tipo com uma potência estrangeira, através das quais uma elite local tenta destacar-se por sobre os seus competidores locais.

06Yucatão

Edifícios de estilo Puuc em Chichén Itzá. Revista de Arqueologia Mexicana.

Acerca desta cidade, o célebre explorador inglês Stephens diz-nos que o nome Chichén é composto de duas palavras da língua maia: Chi que significa boca e chen, poço; de maneira que as duas palavras traduzem-se como “na boca do poço”. Quanto à sua segunda denominação, a da etnia itzá, vemos que Itz significa bruxo e á àgua; de modo que Chichén Itzá significa “na boca do poço do bruxo da água”. Os itzaes foram um povo que chegaram relativamente tarde ao Yucatão, quando já existiam numerosos sítios ocupados pelos maias, como a cidade de Chichén, que nessa altura talvez se chamava Uuc-yab-nal, ou seja: os Sete Abnal. A arquitectura singular e eclética de Chichén Itzá proporciona argumentos para defender as hipóteses de hegemonias que referimos anteriormente. Na zona Sul da necrópole encontram-se exemplos da arquitectura Puuc convencional, do mesmo modo que em outras zonas do Yucatão setentrional, como já vimos em relação a Uxmal e outras cidades. No caso de Chichén Itzá, este estilo pode ser observado no caso dos belíssimos edifícios da “Igreja” ou da “Casa das Monjas”. Num estilo mais híbrido e apresentando uma elegante forma circular, pode-se observar, perto dos edifícios mencionados anteriormente, o destacado observatório astronómico que tem como nome “El Caracol”.

04Yucatão

Zona arqueológica de Chichén Itzá. Fonte: Internet.

No entanto, no sector Norte da cidade predomina um estilo arquitectónico que tem sido denominado de maia/tolteca mas que pode bem ser considerado de “estilo internacional”, como os “atlantes” do Templo dos Jaguares, os chamados “altares chacmol” que tivemos oportunidade de observar em Tula, que na cidade maia se encontram no Templo dos Guerreiros, cuja zona frontal e lateral é ocupada por uma imensidão de filas de colunas que teriam suportado uma vasta cobertura. A pirâmide quadrada principal, conhecida como “El Castillo” e considerada, desde 2007, como uma das 7 maravilhas do mundo antigo, encontra-se destacada ao centro de uma grande praça, nesta zona Norte da cidade. A noroeste deste edifício dedicado a Kulkucan, o equivalente maia do deus Quetzalcoatl, encontra-se o maior campo de jogo de bola de toda a Mesoamérica, cuja base das paredes laterais apresenta a representação da cerimónia sagrada deste jogo, em que se enfrentam duas equipas com os seus sete jogadores cada uma, incluindo um capitão. No centro da cena apresenta-se uma grande bola de pedra com uma caveira falante dentro. Ao lado desta cena central observa-se uma cena de sacrifício por decapitação, muito semelhante à que vimos na sessão dedicada à cidade de El Tajin.

Não podemos deixar de referir o impressionante cenote sagrado, que se encontra mais a Norte da pirâmide de Kulkucan e que foi objecto de muitos rituais onde múltiplas oferendas foram lançadas, mesmo quando a cidade já não era habitada.

05Yucatão

Reconstituição de parte de um baixo relevo no Templo dos Jaguares de Chichén Itzá com a representação de guerreiros. Revista Arqueologia Mexicana, Março-Abril 2007.

A maioria dos investigadores afirma que Chichén Itzá manteve o seu firme domínio até ao período Clássico Final. Todos os dados disponíveis corroboram que se produziu um ataque militar a cargo de um grupo que procedia do Yucatão setentrional, suplantando e absorvendo a classe dominante local. Esta erupção estrangeira teve lugar nos primeiros anos do século XI e marcou o início do período Pós-Clássico. Ao que parece, os grandes centros de poder que até então haviam dominado no Norte, como Ek Balam e Yaxuná, forma submetidos nesta época mediante a intervenção armada deste novo e poderoso estado em expansão. A destruição dos edifícios e das instalações defensivas destes lugares, ocorreu paralelamente à conquista militar levada a cabo pelos invasores procedentes do estado Itzá.

As opiniões dividem-se sobre a região de origem da nova classe dominante dos itzá. As diferentes hipóteses assinalam desde as terras altas mexicanas – toltecas de Tula – passando pelos maias putun “mexicanizados” das costas do Golfo do México, até aos grupos de população dos estados das terras baixas meridionais em decomposição; que se destroçavam mutuamente numa série de conflitos bélicos.

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cursoamerica

Destinatários: Estudantes, professores e outros profissionais que pretendam ampliar o leque de conhecimentos e da sua cultura visual sobre as sociedades que se desenvolveram na América do Sul no período pré-colombiano.

Candidaturas: de 22 de fevereiro a 22 de março de 2016

Duração: 9 de abril a 25 de junho de 2016. O curso será realizado aos sábados, entre as 10h00 e as 13h00, num total de 36 horas distribuídas ao longo de 12 aulas.

Local: Museu Nacional de Etnologia (Lisboa)

Preço: € 240,00

Avaliação: Tratando-se de um curso livre, que não proporciona qualquer crédito escolar, a sua frequência será atestada através de certificado de participação emitido pelo coordenador/formador. Informações | Inscrições: e-mail.

Objectivos e Metodologia: Tendo como objetivo geral conhecer a história e culturas visuais das sociedades indígenas da América do Sul no período précolombiano, após contextualização prévia sobre as grandes áreas culturais da América do Norte e Central, o Curso incidirá principalmente sobre as seguintes áreas culturais da América do Sul: os Andes, Setentrionais e Centrais, as Terras Baixas Tropicais e a Planície Platina, em que se incluem a região do Grande Chaco, as Pampas e os Andes Meridionais. A par do estudo das estruturas sociais, serão abordadas as concepções que fundamentam as diversas expressões estéticas da arte ameríndia que, independentemente da maior ou menor complexidade do tipo de sociedade que as originou, evidencia uma relação íntima com o respectivo contexto ecológico. Acompanhando permanentemente a exposição e enquadramento teóricos, será apresentada uma selecção de imagens ilustrativas da ampla diversidade das expressões estéticas que caracterizaram as culturas sul americanas ao longo dos 25.000 anos da sua história previamente ao seu contato com as sociedades europeias.

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Paracas 1

Localização da zona cultural de Paracas. Fonte: Go2Peru.

Situada na costa Sul, a 18 km de Pisco, sobre uma península arenosa, árida e totalmente desértica, encontraram-se tumbas de uma cultura conhecida como Paracas. Esta palavra pode ser traduzida como “gente de frente grande” ou também por “chuva de areia”. Ambas acepções parecem ser aceitáveis já que os crânios apresentam uma forma aplanada praticada por deformação artificial e os ventos da região cobrem e descobrem com areia as referidas tumbas.

Da origem deste povo, da sua estrutura social e do seu culto, quase nada se sabe. Aparentemente construíram grandes estruturas cerimoniais até ao final do seu período. Em Ica e Cinicha levantaram templos de adobe sobre montículos. Dedicaram grande atenção às práticas mortuárias, observáveis pelos motivos iconográficos que ornamentam cerâmicas e têxteis. Paracas aparece como uma cultura local com influência de Chavín de Huantar.

ca. 1957-1965 --- A lithograph depicting trepanation performed by a first century Peruvian physician, from a portfolio by Robert Thom illustrating the history of medicine. --- Image by © Blue Lantern Studio/Corbis

Ilustração de uma cirurgia de trepanação realizada em Paracas. Imagem de portfolio da autoria de Robert Thom ilustrando a história da medicina. © Blue Lantern Studio/Corbis

No que diz respeito à sua periodização foi classificada em duas fases principais: Paracas Cavernas e Paracas Necrópole, considerando válida a hipótese de J. C. Tello que consigna a Cavernas maior antiguidade e a Necrópoles como a mais recente. Na fase Cavernas, cujo antecedente seria Ocucaje, os enterros foram múltiplos. Os mesmos constam de câmaras sepulcrais redondas, situadas a 3 m de profundidade com 2 m de altura e 4 m de diâmetro. A estas acede-se por um tubo cavado na areia, revestido com pedras de 1,5 m de diâmetro. As câmaras ou Cavernas alojaram, de maneira empilhada, até várias dezenas de fardos funerários. Estes contêm os corpos de defuntos de ambos os sexos e idades em posição fetal, mumificados naturalmente. Alguns dos corpos estão vestidos com turbantes de algodão; outros apenas estão cobertos por um lençol. Um elemento característico das múmias é a grande quantidade de trepanações cranianas com alto índice de sobre vida. O seu enxoval funerário consta de uma quantidade relevante de cerâmica ornamentada e têxteis.

Paracas 3

Tumba de tipo Necrópole apresentando uma planificação arquitectónica e boa construção lítica. Edições Corregidor. Buenos Aires, 2005.

Desta fase existe um santuário de adobe de forma piramidal de 18 por 20 m que ostenta dois grandes murais com imagens de seres mitológicos com características felinas.

A fase Necrópole recebe esta denominação devido a que as primeiras descobertas foram imensos cemitérios, colocados sobre lixeiras e antigos povoados abandonados. Alguns têm tais dimensões que se assemelham a verdadeiras cidades de defuntos; as suas construções constam de uma fileira de quartos ao longo da praia ou por detrás de corredores e pátios. Por último, paralelos aos anteriores, grandes câmaras funerárias, em cujo interior se encontraram fardos funerários. Diferenciando-se da fase anterior os enterros foram individuais, todos adultos do sexo masculino. Tendo em conta a riqueza do enxoval que acompanhava os defuntos, pressupõe-se que o sítio era destinado à classe dirigente. Vários dos fardos continham mais de 150 oferendas de diversa índole das quais, grande quantidade, eram peças de algodão bordadas com lã. Debaixo dos mantos de protecção de cada fardo, aparece o corpo em posição fetal e a cesta onde foram depositados. As múmias mostram turbantes, ceptros como símbolos de cargo social e geralmente estão envoltas com um manto sobre outro em quantidades que variam de dois a onze.

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Dois exemplos de mantas cobrindo fardos mortuários. Thames & Hudson. Londres, 1995.

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Têxtil de estilo Paracas com motivos muito similares aos da cerâmica Nazca. Discovering Art. Inglaterra, 1965.

O motivo religioso principal desta fase é a imagem de uma criatura conhecida como “O Deus Ocultado”, figura frontal de grandes olhos e apêndices ondulantes que terminam em cabeças troféu.

Assim como Cavernas teve influência de Chavín de Huantar, tendo desenhado com essa influência a sua própria forma característica, observa-se na fase seguinte até ao final do período uma transformação para formas que se podem identificar com a cultura Nazca.

 

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